Agricultura Biológica

Agrobio quer autoridades a investigar possível fraude nos biológicos

Agrobio pede investigação para alegada fraude em produtos biológicos

A revista Visão publicou esta quinta-feira (29 de junho) uma reportagem em que denuncia uma alegada fraude nos produtos biológicos comercializados no país. A publicação pediu a um laboratório independente que analisasse mais de 100 produtos de agricultura biológica e revela que um em cada cinco continha vestígios de químicos sintéticos proibidos. A Agrobio já reagiu e pede que se apurem responsabilidades.

Jaime Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio), diz que é preciso analisar os resultados. “Estamos a falar de um assunto tão sério que terá de ser verificado por outras instâncias a veracidade do trabalho feito”, defende. “Isto tem de ser colocado às autoridades competentes e elas têm de responsabilizar quem foi responsável por colocar esses produtos no mercado”.

Numa das análises realizadas no âmbito desta reportagem, duas couves, com um quilo de peso total, tinham 1,2 mg de glifosato, um valor 12 vezes superior ao máximo permitido por lei e um caso de “saúde pública”, nas palavras do presidente da Agrobio.

De acordo com a Visão, “em alguns alimentos foram detetados vários pesticidas sintéticos em simultâneo; um deles continha sete desses químicos diferentes”. No total, o laboratório encontrou 23 pesticidas sintéticos distintos, todos proibidos por lei na agricultura biológica.

A revista diz também que “entre os alimentos que deram positivo a pesticidas há produtos nacionais e estrangeiros, frescos e transformados, desde maçãs a arroz, biscoitos a laranjas, bagas de goji a vinho, e muito mais.”

A produção agrícola em modo biológico tem vindo a crescer em área cultivada nos últimos anos. Este ano, o Ministério da Agricultura apresentou inclusive uma estratégia nacional para a agricultura biológica, cujos objetivos passam, por exemplo, por duplicar a superfície agrícola utilizada para este modo de produção e por triplicar as áreas de hortofrutícolas, leguminosas, proteaginosas, frutos secos, cereais e outras culturas vegetais destinadas a consumo direto ou transformação.