A rentabilidade como meta


‘Investir na rentabilidade’ foi o tema do AgroIN deste ano, que a 20 de abril levou cerca de 300 profissionais do setor agrícola ao Centro de Congressos do Estoril. Hoje todos os investimentos têm de ser pensados numa lógica de rentabilidade, apostando em produtos que os consumidores procuram e valorizam, seja em Portugal ou lá fora.
A abertura do congresso começou com uma palestra com muito humor do ‘tubarão’ Tim Vieira – também ele empresário agrícola, que contou a sua experiência (ou falta dela) na área agrícola, salientando que “Portugal está de parabéns porque construiu rios e terras espetaculares e fez um acordo com o sol”. Falando dos produtos em que está a apostar, Tim Vieira referiu que começou pela framboesa “que correu mal de início, mas que depois de corrigidas as variedades e alguns elementos da equipa, a produção tem vindo sempre a crescer”. O empresário sul-africano anunciou também que está a criar um fundo de 25 milhões de euros, em conjunto com outros investidores, principalmente estrangeiros embora muitos vivam em Portugal, e “estamos já a apostar na pera abacate. Temos um contrato com um dos maiores produtores mundiais”.

Especialização pode ser rentável
João Coimbra
 explicou que “o milho é uma commodity e, sendo um alimento essencial, Portugal importa 2/3 do milho que come” e que “com esta aposta não tenho vendedores, não tenho necessidade de marketing e não vendo às grandes superfícies” e sublinha que “o milho é uma cultura muito querida do centro da Europa”.
João Coimbra salientou assim que “desde que se saiba fazer de forma competitiva (e é possível fazê-lo), tem rentabilidade”, acrescentando que “o rendimento da exploração tem sido utilizado em investimentos estruturais para aumentar a produtividade, baixar os riscos e diminuir os custos de produção”, como energias alternativas e equipamentos e soluções de agricultura de precisão.
Já na mesa redonda, o agricultor Fernando Carpinteiro Albino disse ser “um adepto da diversificação”, mas sempre apostou nos cereais “que têm sido um ‘patinho feio’ no meio disto tudo”, lembrando que “Portugal importa 95% do pão que come e 98% das massas alimentícias”.
A sua aposta na diversificação tem sido feita ‘à custa’ da reconversão de muitas terras próprias e arrendadas do sequeiro para o regadio, com recurso à construção de barragens privadas, instando por isso as autoridades que “é fundamental apoiarem-se estes projetos de pequenos regadios”. E Carpinteiro Albino frisou que “o regadio contribui de uma forma muito grande para a rentabilidade”.
Já o diretor-geral da Agromais salientou que ao longo dos anos tem observado que “ganha mais dinheiro quem é bom agricultor, seja com especialização ou diversificação”. Jorge Neves acrescentou que “na maioria das culturas que temos, o êxito vem da especialização, mas também temos alguns exemplos de agricultores que têm três ou quatro culturas e o conseguem fazer bem”.
O responsável alertou que “a aposta também pode ser numa diversificação geográfica, para diminuir o risco”, defendendo que “Alqueva é a grande oportunidade de avançar neste sentido”.

Ponderar cada decisão
Carlos Melo Ribeiro
foi o senhor que seguiu e falou de controlo de gestão. O dono da Quinta do Rol, na Lourinhã, e que foi CEO da Siemens Portugal durante mais de 20 anos, explicou aos participantes como a sua experiência na liderança da multinacional alemã no nosso país o ajudou a traçar o caminho na Quinta do Rol paralelamente ao seu trabalho na empresa, “planeando a minha reforma”.
O empresário contou que comprou ao resto dos herdeiros a quinta, de 100 hectares fundada pelo avô e que produzia fruta e vinho, que vendia a granel, “tinha 8.000 de construções e tive de apostar no planeamento, controlo e gestão para, com muito investimento (investi alguns milhões ao longo dos anos), a transformar no que é hoje”. A Quinta do Rol tem atualmente quatro vertentes: produção de vinho, turismo, eventos e centro hípico.
A decisão de produzir aguardente mostra a visão e a forma de Carlos Melo Ribeiro encarar os investimentos agrícolas: “a Lourinhã tem uma das três regiões demarcadas de aguardente no mundo (a par de Cognac e Armagnac), por isso decidimos apostar na produção de aguardente de elevada qualidade. Uma vez que a aguardente só é ‘adulta’ a partir dos dez anos destilámos dez mil litros de aguardente a partir de 150 mi litros de vinho que planeámos ficar a envelhecer durante 15 anos. E ficou, tendo sido lançada recentemente em parceria com o Esporão”. A decisão de apostar num produtor reconhecido para lançar este produto super premium é também uma forma de rentabilizar ao máximo o investimento.

É o marketing estúpido!
É possível medir o impacto do marketing? Uma pergunta/desafio a que Rui Martins, da Marktree e da Wonderful Wine, tentou responder. O marketeer começou por salientar que “o marketing é uma função” e que “no marketing é fundamental ter rigor”. Uma ‘chamada à terra’ com o principal objetivo do cliente “QÉV, isto é: ‘quero é vendas!’. Claro, reconhece o orador, mas para isso, recorrendo à imagem de um bitoque tradicional, seguida da de um ‘bitoque gourmet’, “é preciso escolher que bitoque queremos ser, esse e o início de todo o processo, um processo de valorização do produto”, salientando que “para se poder medir é necessário haver um critério”.

Apostar no volume para poder ter qualidade
Sob o tema “Vender com rentabilidade”, Luís Vieira falou das apostas que foi fazendo ao longo dos anos que lhe permitiu construir um grupo, em torno da Quinta do Gradil, com o volume na produção própria e através da prestação de serviços a dar suporte financeiro para explorar a qualidade “como na Quinta do Gradil e noutras marcas do grupo” e o nicho “como é o caso da recuperação da casta Vital, na Casa das Gaeiras”. E frisou: “por isso temos duas áreas, a fine wine division e a best value division, onde apostamos em volume com qualidade.
O administrador da Parras Wines explicou que, por exemplo “para a exportação percebemos que é muito vantajoso ter produção em várias regiões, porque os traders preferem negociar com um só player no País”.

Parcerias para crescer juntos
Na mesa redonda seguinte, falou-se da importância das parcerias como estratégia de mercado. O vice-presidente da Portugal Fresh, Gonçalo Andrade, a presidente do Clube de Produtores Continente, Ondina Afonso; o Chef Pedro Mendes e a diretora de comunicação da Câmara Municipal do Fundão, Marta Couto, contaram aos participantes do AgroIN os pormenores de parcerias ‘meramente’ comerciais ou muito mais ‘fora da caixa’, mas todas de sucesso.

Tecnologia aliada à rentabilidade
Sofia Tavares
da EDP veio apresentar a eficiência energética como fator chave para a competitividade e rentabilidade, destacando o uso das energias alternativas, na auto produção, mas não só. A responsável disse que há várias formas de reduzir o consumo: pela boa gestão de energia; pela manutenção dos equipamentos, repondo as condições iniciais de funcionamento, mas também através de equipamentos mais eficientes, que “pode permitir ganhos até 30%”.
António Graça, responsável pelo departamento de Investigação e Desenvolvimento da Sogrape, centrou-se no uso da tecnologia para conseguir uma rentabilidade resiliente dando o exemplo de várias iniciativas e projetos onde o maior produtor nacional de vinho tem participado. Destacando que “uma das principais bases da resiliência é a diversidade”, embora frisando que “quando a diversidade é muita perde-se eficiência, António Graça referiu – ao nível do uso da tecnologia nas 13 quintas próprias (750ha) e dez centros de vinificação e engarrafamento do grupo – vários equipamentos que permitem uma agricultura e produção de precisão, como “as 22 estações meteorológicas que medem sete parâmetros de 15 em 15 minutos”, entre muito outros equipamentos que “geram muitos e muitos dados que é preciso tratar e analisar, porque são fundamentais no apoio à decisão”.
Ainda sobre agricultura de precisão, o professor da Escola Superior Agrária de Elvas, Luís Alcino, deu exemplos concretos de como a agricultura de precisão pode ajudar a aumentar a rentabilidade da exploração, “a agricultura de precisão é uma obrigatoriedade, um processo irreversível”, defendeu. Para o futuro, o professor deixou a indicação das “sete tecnologias surpreendentes que o mundo vai ver em 2030”, segundo o Fórum Económico Mundial deste ano:  Robótica –  a passagem da industria para os serviços; Sensores – “The internet of things” sensores ligados à internet; Impressão 3D na “indústria médica” – o corpo humano possível de ser reparado…; Internet – um direito básico, acessível para todos em 2024; comunicação móvel – o implante físico e a transmissão por ondas cerebrais; Inteligência artificial – a “big data” no organograma das organizações; e  Automóvel – renting, transporte partilhado em detrimento do automóvel próprio.

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O Centro de Congressos do Estoril tem uma localização privilegiada na Costa do Estoril, a 25 km do aeroporto de Lisboa, fica a 3 minutos a pé da estação de comboios do Estoril e situa-se ao lado do Casino. O acesso de carro poderá ser feito pela A5 ou pela Avenida Marginal

Coordenadas GPS: N 38º42’25.00 W 9º23’46.00

Morada: Avenida Amaral Centro de Congressos do Estoril, 2765 Estoril

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