Agroindústria

Comissão Europeia prepara chumbo de inseticidas com clorpirifos-metilo

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A Direção Geral de Saúde da Comissão Europeia vai realizar a 21 de outubro uma reunião onde consta a proposta de ‘não aprovação’ da substância ativa clorpirifos-metilo, usada em inseticidas para o combate a pragas e doenças de culturas do Sul da União Europeia.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) já se pronunciou e diz considerar que esta proposta “deve ser retirada da agenda, por resultar de um conjunto de medidas nunca antes adotadas e cientificamente incorretas”.

Isto porque “esta substância ativa é “da maior importância em culturas como os citrinos, a pera Rocha, as macieiras e a vinha, para além de ser fundamental no combate a pragas de quarentena como o Scaphoideus titanus (Flavescência dourada) em vinha, a Trioza erytreae (Psila africana) em citrinos e Halyomorpha halys (Percevejo asiático) em pomóideas”.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) explica também que os inseticidas com a substância ativa clorpirifos-metilo atuam por contacto, ingestão e fumigação, acrescentando que “é muito perigoso para abelhas; não aplicar na época de floração. Extremamente perigoso para organismos aquáticos. Não aplicar em terrenos agrícolas adjacentes a cursos de água”.

Até agora, a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) ainda não emitiu o seu relatório de avaliação relativamente a estes inseticidas, o que segundo a CAP, “é completamente inaceitável e não deveria ser tolerada por nenhum Estado-membro, já que abre um precedente que tornará o processo de avaliação europeu totalmente imprevisível e pouco transparente, já que a ciência é, mais uma vez, relegada para segundo plano”.

Para a CAP trata-se de um processo de condenação de uma substância ativa por extrapolação de resultados de outra substância (extrapolação do clorpirifos-etilo para o clorpirifos-metilo). “De facto, as duas são substâncias da mesma família química, mas têm características diferentes e, acima de tudo, têm dossiers e avaliações distintos. Por este motivo, o Estado-membro relator (Espanha) chegou a conclusões diferentes na avaliação das duas substâncias activas, tendo proposto a aprovação do clorpirifos-metilo”, explica.