Agroindústria

Governo quer negociar com a indústria redução de açúcar em bolachas e cereais

Governo quer negociar com a indústria redução de açúcar em bolachas e cereais

O Governo quer negociar com a indústria a redução dos níveis de açúcar em produtos como os cereais e as bolachas e uma redução do sal nas batatas fritas. A notícia foi avançada pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, no mesmo dia em que foi conhecido o balanço da taxa às bebidas açucaradas criada pelo Executivo.

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado revela que os consumidores portugueses consumiram menos 5500 toneladas de açúcar em 2017 devido à taxa das bebidas açucaradas. Para além disso, de acordo com o governante, a medida levou a indústria a produzir produtos com menos quantidades de açúcar e levou a que o consumo de bebidas mais açucaradas (com mais de oito gramas por 100 mililitros) diminuísse para metade.

Fernando Araújo avançou ainda que no próximo Orçamento do Estado a medida vai voltar a ser analisada e deverá contemplar uma das maiores reivindicações da indústria: a criação de escalões na taxa com diferentes valores para diferentes quantidades de açúcar.

Para além disso, no futuro, a verba resultante da taxa poderá passar a ser aplicada na área da prevenção de doenças. Atualmente, estas verbas, que no ano passado atingiram os 80 milhões de euros, estão a ser utilizadas para pagar as dívidas do setor.

A grande meta do Executivo é, no entanto, debater com a indústria agroalimentar a reformulação dos produtos. “Vamos com eles [indústria] discutir objetivos concretos para determinado conjunto de gamas de produtos, ao longo de vários anos. A nossa proposta é de três anos com metas anuais de redução de sal e de açúcar nos produtos que consideramos mais importantes para ver se conseguimos por esta via melhorar a qualidade da alimentação dos portugueses”, explicou o secretário de Estado.

Em causa estão o açúcar, o sal e as gorduras, que o Governo quer que tenham objetivos de redução anuais, uma forma de estes produtos estarem “alinhados com as boas práticas europeias”.