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Vinha e Vinho

Poças Júnior relança vinho quinado

Poças Júnior relança vinho quinado

A Poças Júnior lançou um vinho quinado, um género abandonado e que fez parte dos portefólios de várias empresas. Esta designação resulta da adição de quinino, alcalóide usado preventivamente no combate à malária. Portugal tinha um império colonial nos trópicos e esta doença representava um perigo real. O quinino está também na origem da água tónica, criada na Índia e difundida pelos britânicos.

Este relançamento destina-se a celebrar o centenário, em 2018. Esta empresa, de actividade centrada nos vinhos do Douro e Porto, debateu-se com uma questão regulamentar de certificação do quinado. Há muitas décadas, podia ser adicionado quinino a este vinho generoso sem que perdesse o direito à designação geográfica.

Porém, as regras mudaram, pelo que este novo (velho) produto não pode ser rotulado como Porto. Assim, surge com selo do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e não do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). “O Quinado é um vinho que está sob a alçada do IVV, embora nalguns pontos haja colaboração do IVDP, nomeadamente para controlo de contas correntes. A intervenção do IVV e IVDP resumiu-se às questões legais que são normais neste tipo de situações (aprovação de rotulagem, etc…)” – informa Pedro Pintão, director comercial da firma.

Este novo produto não resulta de trabalho recente. “Era um vinho em stock, que foi elaborado há mais de 40 anos, pelo antigo provador da casa, Miguel Pinto Hespanhol”, avança Pedro Pintão.

O Quinado da Poças Júnior acaba por ser uma curiosidade, pois encheram-se apenas 100 garrafas, com preço de venda ao público recomendado de 150 euros. “Até pela reduzida quantidade, é claramente um produto de nicho, para um grupo de consumidores esclarecidos e ao mesmo tempo curiosos em descobrir produtos únicos”, adianta o mesmo responsável.

Comparativamente ao quinado que ainda se vai encontrando no comércio, da Ramos Pinto, o da Poças Júnior apresenta-se com um perfil completamente diferente. Pedro Pintão refere que este “é um vinho muito velho, com mais de 40 anos, que mistura as características de um tawny velho com o amargo da quinina e exuberância aromática de um conjunto de essências que terão sido utilizadas na altura da sua elaboração”.

Poças Júnior relança vinho quinado

A celebração do centenário irá passar por mais iniciativas, como o lançamento de um livro e alguns “vinhos especiais”, refere Pedro Pintão. Poderá ser relançado um vermute e uma aguardente velha, “que fazem parte da história da empresa”.

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Ao contrário do quinado, que existe em stock, o vermute será fabricado de base. “Será nova produção, com base em barricas que foram utlizadas no passado por nós para produzir vermute”. Contudo, é apenas uma hipótese. Não há datas nem quantidades definidas.

A Poças Júnior está a estudar a criação de um clube. “É, de facto, algo que temos vindo a estudar, mas ainda não temos os detalhes definidos. Estamos neste momento a avaliar o que considerámos serem boas práticas, por parte de outros clubes de vinhos noutros mercados, e a perceber se poderá funcionar no nosso caso” – prossegue Pedro Pintão.

Novas colheitas

A empresa apresentou também novos produtos, tanto com denominação Douro como Porto. Assim, foram revelados os Denominação Douro Coroa d’ Ouro Branco 2016, Coroa d’ Ouro Tinto 2015, Poças Reserva Branco 2016 e Vale de Cavalos Tinto 2015 e o Porto tawny Poças Colheita 2007.

Os dois Coroa d’ Ouro têm um preço de venda ao público recomendado de quatro euros. Para os Poças Reserva Branco 2016 e Vale de Cavalos Tinto 2015 estão indicados sete euros. O valor indicado para o Poças Colheita 2007 é de 20 euros.

Embora a tradição da Poças Júnior assente no Vinho do Porto tawny, a empresa tem vindo a apostar na família dos ruby, nomeadamente nos segmentos mais altos, Late Bottled Vintage e Vintage. No início da década de 90, do século XX, iniciou a produzir vinhos com denominação de origem controlada Douro.

Com sede em Gaia, esta firma possui três propriedades no Douro, cada uma situada numa sub-região: Quinta das Quartas (Baixo Corgo – onde se situa o centro de vinificação), Quinta de Santa Bárbara e Quinta de Vale de Cavalos (Douro Superior).