Agroindústria

Produtores de leite nacionais dizem estar a beneficiar com crise da manteiga

Produtores de leite nacionais dizem estar a beneficiar com crise da manteiga

Os produtores nacionais dizem estar a beneficiar com a crise da manteiga que se vive em França. De acordo com o secretário-geral da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (FENALAC), Fernando Cardoso, a crise pode ser positiva para os produtores portugueses, mas importa manter a estabilidade no mercado.

Nas palavras de Fernando Cardoso, “a crise [da manteiga em França] depende do ponto de vista em que a estamos a ver: se formos analisar quem compra, obviamente, que não gosta de pagar mais por um produto, de quem vende não há crise, está a vender um produto mais caro e, como tal, está a ser melhor remunerado […], não nos interessa também ter um grande pico para depois ter uma grande quebra, interessa-nos ter um mercado relativamente estabilizado”.

Este ano, o preço da tonelada da manteiga atingiu um valor total de 7000 euros em França, um crescimento de 180% face aos 2500 euros registados em 2016 que está a criar um problema de escassez de manteiga no país. Mas de acordo com o secretário-geral da FENALAC, o historial de Portugal enquanto exportador de manteiga pode ser algo positivo.

“Presumo que não tenha havido um grande aumento [da quantidade], também porque nós estamos, de alguma forma, condicionados pela produção e no mercado do leite também houve alguma contenção durante 2016, como tal a produção de manteiga também não teria tido condições para um grande aumento, aumentou assim o valor”, refere.

“Se formos ao mercado de retalho vemos que estas prestações não se reproduziram, o preço a que cada um de nós compra a manteiga no supermercado não se reproduziu, na medida em que estamos a falar de contratos de maior duração, a replicação de mudanças de preço na origem, na produção, demora mais tempo a chegar ao mercado e, portanto, não seria positivo, ao nível do consumidor final, se houvesse um grande aumento, isso também prejudicaria o consumo total”, acrescenta.