Agricultura

Início de mês chuvoso pode salvar a agricultura

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Um início de mês com elevada precipitação pode ser tudo o que os agricultores nacionais estavam à espera depois do mês de abril mais quente dos últimos 86 anos. A Fenareg tinha alertado no mês passado para a possibilidade de se perderem vários milhares de hectares de produção, mas a precipitação registada neste início de maio poderá ajudar a salvar alguns.

Este é já o terceiro ano consecutivo em que se regista seca em Portugal e, de acordo com a Lusa, com as pastagens secas, alguns produtores vão começar já este mês a alimentar o gado à mão.

Neste momento, cerca de 96% do território nacional está em “seca meteorológica”, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Francisco Palma, da associação, explica ao jornal que “o girassol será um dos mais afetados. Ainda não choveu nada e isso é fatal para esta produção”.

António Gonçalves Ferreira, presidente da União da Floresta Mediterrânica, refere ainda que “o solo é o primeiro a secar e os campos estão completamente secos como se já fosse final de junho. As árvores estão a adaptar-se à falta de água, pelo que se não chover em maio antecipam a paragem vegetativa.”

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) já veio entretanto dizer que, devido à seca, os consumidores poderão ter que pagar mais pelos produtos. João Dinis, dirigente da CNA, acredita que a situação que o país atravessa irá refletir-se na produção nacional, já que os custos com a rega serão maiores.

“Pode fazer reduzir a produção nacional. Os agricultores vão ter que regar mais vezes e mais cedo e isso encarece a produção. E a grande distribuição estará sempre disponível para especular e aproveitar-se de uma situação difícil da produção nacional, com aquilo que vai importar”, defende.

O Ministério da Agricultura já explicou também que em breve será criada uma comissão interministerial para acompanhar a situação de seca do país, mas o dirigente da CNA defende uma solução que inclua apoios do Estado aos agricultores.