Investigação

Portugueses descobrem mecanismo usado pelo castanheiro para se defender da doença da tinta

castanheiro - Vida Rural

A doença da tinta do castanheiro, causada pelo fungo Phytophthora cinnamomi, é considerada uma das mais prejudiciais para esta cultura, podendo levar à morte da planta. Foi precisamente para resolver este problema que uma equipa de investigadores do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa decidiu estudar a doença. O resultado? A descoberta do mecanismo usado pelo castanheiro para eliminar a doença mortífera.

De acordo com o jornal Público, os resultados foram publicados este mês na revista Frontiers in Plant Science e debruçam-se sobre os mecanismos usados por esta cultura para se defender da doença da tinta.

Em Portugal, a espécie mais comum é o castanheiro-europeu, que em 2010 ocupava cerca de 35 mil hectares, de acordo com dados da FAO, que indicam também que a China é o maior produtor mundial de castanhas, com 80% da produção mundial no ano de 2010, pouco à frente de Portugal, que ocupava a 10ª posição do ranking com uma produção de 35 mil a 45 mil toneladas anuais.

Mas apesar da elevada produção desta cultura, a doença da tinta do castanheiro é frequentemente responsável por grandes perdas de produção. Portugal não é exceção. Razão pela qual os investigadores nacionais decidiram tentar perceber de que forma se pode travar a doença.

Para isso, “infetaram o castanheiro-asiático, o castanheiro-europeu e quatro espécies híbridas de castanheiros com o agente patogénico. Depois de recolherem as amostras, fizeram o transcriptoma, que é o conjunto de ARN resultante da transcrição da molécula de ADN e que sintetiza as proteínas a partir dos genes”, revela o Público.

Os resultados agora publicados mostram que houve uma diferença entre o castanheiro-asiático e o castanheiro-europeu – “o primeiro sintetizou uma maior quantidade de proteínas de ARN a partir dos genes, que estavam relacionadas com a doença.” Para além disso, as conclusões mostram que o castanheiro-asiático usa três linhas de defesa contra a doença, uma das quais produzindo proteínas que conseguem proteger as raízes e aumentar a espessura das células da raiz quando é atacado pelo fungo. O castanheiro-europeu, predominante em Portugal, também ativa estes genes, mas só depois do fungo ter penetrado na raiz, já tarde de mais, o que faz com que este acabe por morrer.

“Ao contrário do castanheiro-europeu, o asiático evoluiu em contacto com este agente patogénico. O castanheiro-europeu só mais tarde começou a contactar com este agente”, indica o estudo.