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Analistas do Rabobank apontam para possível redução da área plantada

Os horticultores da Califórnia devem reduzir a área de produção nos próximos meses devido à grande diminuição da procura de serviços alimentares, de acordo com analistas do Rabobank.

Numa entrevista realizada a 28 de abril, no The Packer’s de Tom Karst, os especialistas de hortofrutícolas do Rabobank – uma multinacional bancária e de serviços financeiros holandesa –, Roland Fumasi e David Magana, realizaram uma análise ao setor do retalho e indústria alimentar norte americana, e Fumasi apontou para uma possível redução da área cultivada nos próximos meses.

Fumasi explicou também que as perdas nas colheitas dificilmente serão colmatadas com as ajudas disponibilizadas pelo Governo, por se tratarem de valores bastante elevados. E, como consequência do impacto da covid-19, os horticultores da Califórnia vão plantar uma área mais reduzida.

Segundo o analista sénior de frutas, legumes e flores, uma parte do setor pondera cortar cerca de 10 a 15% da área nos próximos 80 a 120 dias. Roland Fumasi falou ainda sobre o aumento das vendas no retalho, registado em meados de março, destacando que os números de crescimento por produto podem apresentar uma realidade ligeiramente diferente.

Apesar do aumento das vendas, os produtos frescos sofreram um impacto negativo no geral. Durante quatro semanas, até 12 abril, os legumes frescos no retalho verificaram um aumento nas vendas 25% e a fruta cerca de 9%. Porém, isto não se reflete em todos os produtos hortofrutícolas. Por exemplo, nas frutas, as laranjas registaram um aumento de 55%, enquanto as uvas, peras, melão registaram uma quebra.

Nos legumes frescos, a batata registou uma subida de 80% e a batata doce cerca 55%, possivelmente por serem bens mais armazenáveis e menos perecíveis, mas a salada embalada apenas aumentou apenas 7% no retalho, o que não compensa a quebra geral de cerca de 20%.

Os analistas concluem que o aumento de compras no retalho não consegue compensar as perdas registadas nos outros canais de escoamento, como o canal Horeca.

Magana, analista sénior para a horticultura da RaboReserch, delineou a percentagem de hortofrutícolas que são tipicamente utilizados no canal foodservice, bem como as implicações perante as condições atuais. Segundo o analista, os hortícolas dependem mais dos serviços alimentares do que as frutas, uma vez que cerca de 35% dos legumes são escoados através destes canais, face a apenas 15% dos frutos.

Mangana esclarece ainda que algumas frutas, como as cerejas, ainda não estão no mercado, por isso ainda não é possível prever o impacto da covid-19 no seu mercado.

Um dos pontos referidos na entrevista, é que a adaptação das culturas e colheitas a esta nova realidade também tem representado custos acrescidos para os produtores, desde o transporte dos profissionais – que agora implicam novas regras de segurança para evitar situações de contágio – ao embalamento. Porém, o valor exato destes gastos adicionais é difícil de estimar. De momento, estes produtos ainda não registaram um aumento nos preços ao consumidor, mas possivelmente no futuro estes custos adicionais serão refletidos, explicou Magana, acrescentado ainda que os bens perecíveis continuam a ter de ser transportados de avião, contudo, a diminuição dos voos poderá ter impacto no transporte.

Os analistas anunciaram também que na próxima semana será apresentado o relatório sobre o abacate e os preços previstos no mercado, bem como a resiliência do produto mesmo perante esta situação.