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Espumantes e indicações geográficas vão impulsionar exportações europeias de vinhos

Depois de uma década de quebras [1], a produção total de vinho da União Europeia deverá estabilizar no próximo ano. A previsão é do Boletim de Previsões Agrícolas da União Europeia para a próxima campanha e indica que o consumo de vinho na UE deverá cair e que as exportações vão manter-se a um ritmo de crescimento estável, impulsionadas pelas indicações geográficas e pelos espumantes.

De acordo com o documento, em 2018, a produção de vinho total da UE deverá atingir os 168 milhões de hectolitros, mais 2% do que a média dos últimos cinco anos. Itália, França e Espanha serão os maiores impulsionadores deste aumento, contabilizando em conjunto 80% da produção. Espera-se ainda uma recuperação do consumo per capita na campanha de 2018/2019, prevendo-se um aumento para 26 litros per capita que, segundo, a UE, será impulsionado “pela crescente popularidade de vinhos espumantes e mais leves” e “pelo aumento de consumo de vinhos graças ao crescimento económico nos países de Leste”.

O Boletim de Previsões Agrícolas da União Europeia indica ainda que, à data da última análise [2016], existiam na zona comunitária 450 mil produtores de vinho, um número que representa uma quebra de 22% face a 2005. Ainda assim, importa referir que apesar do número de produtores estar a cair, a área dedicada à produção de vinho caiu apenas 3%, uma percentagem que a UE atribui à reconversão de vinhas antigas.

Exportações atingem os 24 milhões hl em 2017/2018

O estudo diz também que as exportações de vinhos europeus [2] cresceram cerca de 2% por ano na última década, atingindo um total de 24 milhões de hectolitros em 2017/2018.

De acordo com a UE, existe, sobretudo, uma procura crescente por vinhos com indicação geográfica e por vinhos espumantes. Enquanto as exportações de vinhos tranquilos da UE cresceram cerca de 11% nos últimos cinco anos, as exportações de espumantes aumentaram mais de 36%, arrecadando 14% do total das exportações da União Europeia em 2017/2018.

Produção vitivinícola biológica em crescimento

Os dados agora publicados pela União Europeia revelam ainda que, em 2016, 9% das vinhas europeias já eram produzidas em modo biológico (mais de 313 mil hectares), com Itália a ganhar a corrida (15% da área total de vinha), seguida de Espanha (11%) e de França (9%).

Espanha é, no entanto, o país onde a aposta em vinho biológico mais cresceu, com as vinhas em modo biológico a aumentarem de 5% em 2010 para 11% em 2017, para um total de 107 mil hectares. De acordo com os números da UE, em 2016, os vinhos biológicos espanhóis atingiram um total de 3,3 milhões de hectolitros, uma produtividade de cerca de 30hl/ha.