Pecuária

Fenapecuária diz que acordo UE-Mercosul é “desleal”

Fenapecuária diz que acordo UE-Mercosul é “desleal”

A União Europeia e os países do Mercosul chegaram a acordo no final de junho, encerrando um processo de negociações que se arrastava há já 20 anos. A Fenapecuária já se pronunciou sobre o acordo e diz estar “preocupada com as concessões feitas no capítulo agrícola”, nomeadamente no setor da carne.

Para Idalino Leão, Presidente da Fenapecuária, “o que está em cima da mesa neste acordo entre a UE e o Mercosul é demasiado penalizador para toda a fileira da pecuária a nível europeu. Se nada for alterado, estamos a falar de concorrência desleal, pois não competimos com as mesmas regras quanto à forma de produzir. A ideia que o acordo veicula é a de que os países europeus estão a oferecer a agricultura, o setor pecuário em particular, como moeda de troca de eventuais interesses em outras áreas industriais.”

A organização diz, ainda, que “a pecuária nacional tem feito um enorme esforço para se reajustar, para se modernizar e para ser mais competitiva. É um setor que cuida e acautela o bem-estar animal, é um sector que cuida do ambiente, que contribuiu não só de forma efetiva para o PIB nacional, mas também para a fixação da população aos territórios, bem como para a manutenção da flora e fauna autóctones gerando os necessários equilíbrios ambientais.  Por tudo o que o setor pecuário representa para o país, e pela forma como este acordo tem vindo a ser cozinhado, a pecuária nacional merece ser acarinhada e defendida pelo poder político, na Assembleia da República, onde este acordo terá ainda de ser aprovado.”

A Fenapecuária pede também que “sejam adotadas medidas que defendam e promovam a produção nacional e, por conseguinte, a segurança alimentar e o bem-estar dos consumidores”, sugerindo, por exemplo, que “as cantinas públicas privilegiem na aquisição dos seus produtos agrícolas variáveis como a rastreabilidade, a sazonalidade e a distância a que são produzidos e consumidos os bens alimentares.”

“Este acordo é demasiado sério e comprometedor para o país e deve ser promovido o seu esclarecimento junto dos envolvidos, desde a produção aos consumidores. Trata-se de uma tarefa que seguramente cumpre a todos, responsabilidade à qual o Governo não deve passar ao lado”, conclui Idalino Leão.