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ECHA e EFSA recusam acusações de preconceito na avaliação do glifosato

A avaliação do glifosato continua a provocar polémica no bloco comunitário. A Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA [1]) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA [2]) defenderam-se recentemente das acusações que têm sido alvo, noticia o portal Euractiv [3]. Lembre-se que a ECHA [4] confirmou a sua anterior avaliação de que o glifosato não podia ser considerado cancerígeno baseado na evidencia atual.

Numa audiência dos representantes de ambas as agências na Comissão sobre o Ambiente do Parlamento Europeu, o presidente do Comité de Avaliação de Riscos (RAC) da ECHA, Tim Bowmer, nota que “em geral, o principal corpo de provas permaneceu notavelmente igual à avaliação anterior.”

 

Segundo Tim Bowmer, “não havia muito em termos de grandes estudos” que pudessem ter apontado para um risco de cancro.

Apesar disso, os legisladores europeus levantaram dúvidas sobre se a comissão tinha considerado todas as provas relevantes, com alguns a acusá-la de se concentrar demasiado em estudos financiados pela indústria.

 

“Estou preocupado […] que as classificações não incluem consistentemente todos os estudos imparciais”, disse a deputada Jytte Guteland, enquanto a eurodeputada Anja Hazekamp chegou a afirmar que “todos sabemos” que as avaliações da ECHA “não se baseiam em dados completos e fiáveis”.

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Como resposta, o presidente do Comité de Avaliação de Riscos (RAC) notou que “tal não foi o que aconteceu” e que “olhámos para todos os estudos disponíveis e consideramo-los” de acordo com os critérios relevantes.

 

A decisão final sobre a autorização de comercialização do herbicida foi recentemente adiada para julho de 2023, apesar de a atual autorização expirar no final do ano. Tal foi criticado também pelos eurodeputados presentes na audiência.

A chefe da unidade de revisão pelos pares na EFSA, Manuela Tirama, nota que a quantidade de submissões às agências originou “uma quantidade absolutamente sem precedentes de trabalho em comparação com o habitual”.

 

A responsável nota que cerca de seis a sete membros da equipa conseguem completar o trabalho relacionado com a consulta pública sobre uma avaliação de uma substância entre 45 e 50 dias. No caso do glifosato, 29 membros da equipa já estão a analisar a documentação há 200 dias.

Apesar disso, a eurodeputada Anja Hazekamp, considera que, depois de um período de cinco anos antes desde a anterior avaliação, é “incrivelmente vergonhoso que agora venha dizer que desperdiçou este tempo e não pode apresentar a sua conclusão a tempo”.