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Sustentabilidade

Estudo Oxfam: Preços de alimentos podem disparar em 80% devido à reflorestação

Os planos de reflorestação devem ser limitados para evitar o aumento dos preços dos alimentos nos países em desenvolvimento, alertou a Oxfam.

Os preços dos alimentos podem aumentar 80% até 2050, se a compensação das emissões através da silvicultura for sobre-utilizada, alertou a organização não governamental Oxfam.

De acordo com o seu relatório, intitulado Tightening the net: Net zero climate targets implications for land and food equity, os planos de reflorestação e plantação de árvores para alcançar a neutralidade carbónica devem ser limitados para evitar o aumento dos preços dos alimentos nos países em desenvolvimento , relata o The Guardian.

Para atingir a neutralidade zero até 2050, segundo as estimativas desta investigação, seriam necessários pelo menos 1,6 mil milhões de hectares – uma área cinco vezes maior do que a Índia, equivalente a toda a terra agora cultivada no planeta. Embora não existam sugestões para a plantação de árvores ou reflorestação nessa medida, os autores do relatório dizem que dá uma ideia da dimensão da plantação necessária e de quão limitada deve ser a compensação se quiser evitar-se que os preços dos alimentos aumentem.

A líder da política climática na Oxfam e coautora do relatório, Nafkote Dabi, explicou ao jornal britânico que “é difícil dizer quanto terreno seria necessário, uma vez que os governos não foram transparentes sobre a forma como planeiam cumprir os seus compromissos líquidos. Mas muitos países e empresas estão a falar de florestação e reflorestação, e a primeira questão é: de onde virá esta terra?”.

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O relatório revela ainda que, de forma a evitar a perturbação nos preços, só cerca de 350 milhões de hectares de terra – uma área aproximadamente do tamanho da Índia – poderiam ser usados para compensar as emissões.

Possíveis alternativas

A investigação concluiu igualmente que duas das medidas de compensação mais utilizadas, a reflorestação e a plantação de novas florestas, estavam entre as piores opções quando considerado o risco para a segurança alimentar. Muito melhor, de acordo com a análise, foram soluções baseadas na natureza que se focaram na gestão florestal, nos sistemas agrossilvopastoris, bem como na gestão de pastagens e gestão do solo em terras agrícolas.

“Não somos contra a florestação e a reflorestação, e não queremos impedir que as pessoas façam estas coisas. Mas não devem ser utilizados em larga escala e devem ser combinados com outros métodos, como os sistemas agrossilvopastoris”, explica a responsável do estudo.

Já o presidente executivo da Oxfam GB, Danny Sriskandarajah, apelou às empresas e aos governos para reduzirem drasticamente as suas emissões, em vez de dependerem de compensações. Ele disse: “Muitas empresas e governos estão escondidas atrás da cortina de fumo do ‘zero líquido’ para continuar as atividades sujas como de costume”.