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Agricultura

Nova bactéria afeta qualidade e produção de noz

Investir em nogueiral no Alentejo

Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) descobriram uma nova espécie de bactérias patogénicas na nogueira que “afeta a qualidade” da noz e “ameaça” a sua produção em Portugal.

Em comunicado enviado à Agência Lusa, a FCUP avança que o estudo, desenvolvido a par com investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), debruçou-se sobre a principal espécie de bactéria – Xanthomonas arboricola pv. juglandis – que causa doença nas nogueiras: bacteriose de nogueira.

Os sintomas característicos da bacteriose de nogueira incluem manchas necróticas nas folhas e frutos, a queda precoce da noz ou a morte do embrião no interior do fruto, originando “consideráveis perdas de produção, diminuição da qualidade da noz e avultados prejuízos económicos”.

No seguimento deste estudo, publicado no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, os investigadores descobriram uma “nova espécie” de bactérias patogénicas, as quais designaram de “Xanthomonas euroxanthea”.

Depois de sequenciarem os genomas e realizarem bioensaios de patogenicidade, o grupo de investigação descobriu que as duas estirpes, apesar de “muito semelhantes”, diferem na capacidade de infetar a nogueira, o que poderá ser “útil para identificar novos genes envolvidos nesta patologia”.

Citada no comunicado, Leonor Martins, primeira autora do artigo, explica que esta é a “primeira vez que se observa estirpes patogénicas e não patogénicas de uma mesma espécie de ‘Xanthomonas’ a colonizar a mesma planta”.

“Estes resultados são bastante promissores, pois a comunidade científica dispõe agora de um modelo favorável para o estudo da emergência e evolução da patogenicidade, assim como da coevolução de baterias que têm como habitat a nogueira”, destaca a investigadora.

Paralelamente, os investigadores caracterizaram o comportamento epidémico da população de ‘Xanthomonas’ isoladas, tendo por base material vegetal de nogueiras cultivadas em diferentes regiões do país.

O próximo objetivo dos investigadores passa por estudar os genes “essenciais” à virulência e à patogenicidade da nova espécie de bactéria que “possam ser usados como marcadores para a deteção de estirpes patogénicas ou particularmente virulentas”, acrescenta Fernando Tavares, investigador do CIBIO-InBIO e docente da FCUP que liderou o grupo.

Além de investigadores da FCUP e do CIBIO-InBIO, colaboraram neste estudo investigadores da Justus-Liebig-University Giessen, na Alemanha, da Zurich University of Applied Sciences e do Institute of Agricultural Sciences, na Suíça.