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Porque estão a desaparecer as abelhas e os polinizadores?

O Parlamento Europeu [1] acaba de divulgar um documento que explica a importância dos insetos polinizadores, o seu impacto na economia e as principais causas do seu desaparecimento. A ideia é lançar a discussão, uma vez que os eurodeputados vão debater este tópico e votar uma resolução em sessão plenária já no próximo mês de janeiro.

Deixamos-lhe um breve resumo, com infografias, para saber mais sobre estes importantes auxiliares para os agricultores!

É um facto: nos últimos anos os apicultores europeus detetaram uma grande redução no número de colónias de abelhas [2], especialmente nos países no Oeste da UE [3], como França, Bélgica, Espanha e Holanda. Contudo, muitos outros países no mundo, como os EUA, a Rússia e o Brasil, estão a experienciar o mesmo problema, indicando uma crise global nesta matéria.

A ameaça da extinção dos polinizadores tem atraído muita atenção, uma vez que as abelhas e outros insetos polinizadores são essenciais para os ecossistemas e biodiversidade. Menos polinizadores significa um declínio de várias espécies de plantas, que podem até desaparecer, por dependerem, direta ou indiretamente, destes animais. Para além disto, a diminuição do número ou da diversidade das populações de polinizadores tem um impacto na segurança alimentar, com a queda do rendimento de algumas pastagens agrícolas.

Neste sentido, a Comissão Europeia apresentou a primeira iniciativa a nível europeu nesta matéria, a “Ação da UE relativamente aos polinizadores”, em 2018, no âmbito das políticas ambientais, agrícolas e para a saúde. A ideia é elucidar a população sobre o declínio destas espécies, travando as causas e consciencializando sobre o problema. No dia 3 de dezembro, a Comissão para o Ambiente, a Saúde Pública e Segurança Alimentar adotou uma resolução [4], solicitando medidas mais direcionadas para proteger os polinizadores selvagens. Os eurodeputados pediram ainda a redução do uso de pesticidas e maior financiamento para a investigação sobre esta matéria.

Quem são os polinizadores?

Poucas plantas têm a capacidade de autopolinização uma vez que a grande maioria depende de animais, do vento ou de água para se reproduzir. Para além das abelhas e de outros insetos, um grande número de outros animais, desde morcegos, até pássaros e lagartos, que procuram o néctar das flores, até macacos, roedores ou esquilos, podem ser polinizadores. Com diminuição das populações de abelhas, os apicultores de várias regiões do mundo começaram a polinizar manualmente os seus pomares.

Na Europa, os polinizadores são, maioritariamente, abelhas e sirfídeos, mas também borboletas, traças, alguns besouros e vespas. A abelha ocidental doméstica é a espécie mais conhecida, e normalmente está associada à produção de mel através da apicultura. Mas a Europa tem cerca de 2 mil espécies selvagens. A ideia de que estes ‘polinizadores domesticados’ contribuíam para grande parte da polinização foi recentemente desafiada por estudos recentes, que mostraram que, pelo contrário, as abelhas complementam, mas não substituem [5] os polinizadores selvagens.

Porque estão a desaparecer as abelhas e os polinizadores?

Impacto económico dos polinizadores

78% das espécies de flores selvagens e 84% das espécies [6] nos campos de colheita da UE dependem, pelo menos parcialmente, de insetos para a produção de sementes. A polinização feita pelos insetos ou outros animais também garante uma melhor qualidade de frutos, vegetais, nozes e sementes.

Estas plantas dependem, em grande parte, da polinização dos insetos:

De acordo com as estimativas, entre 5 e 8% do valor global de campos de cultivo depende diretamente da polinização por parte de animais.

Os polinizadores também contribuem diretamente para a produção de fármacos, biocombustíveis e materiais de construção.

Porque estão a desaparecer as abelhas e os polinizadores?

Porque estão a desaparecer os polinizadores?

Atualmente, não há dados científicos que consigam clarificar a questão, mas as evidências apontam para um claro declínio das populações de polinizadores, devido, sobretudo, a atividades humanas. As duas espécies mais estudadas são as abelhas e as borboletas e as investigações mostram que uma em cada dez espécies de abelhas e borboletas [7] está em risco de extinção na Europa. Os cientistas ainda não apontaram para uma explicação. Os polinizadores são expostos a vários fatores que podem contribuir para este quadro. Entre as ameaças estão as alterações na utilização dos solos, para a agricultura ou para a construção de edifícios, que resultam muitas vezes na perda ou degradação de habitats. A agricultura intensiva torna as paisagens homogéneas e pode levar ao desaparecimento da flora, reduzir o número de alimentos ou os locais onde os pássaros podem fazer os seus ninhos. Os pesticidas e outros poluentes podem também afetar os polinizadores – diretamente (inseticidas e fungicidas) e indiretamente (herbicidas) – e, por esta razão, o Parlamento Europeu sublinhou a importância da sua redução como uma prioridade. As espécies invasoras, como a vespa asiática, e algumas doenças são particularmente perigosas para as abelhas. As alterações climáticas, que estão a provocar o aumento das temperaturas e eventos meteorológicos extremos, também contribuem para esta problemática.

Porque estão a desaparecer as abelhas e os polinizadores?

Para saber mais sobre esta matéria clique aqui [8].