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Agricultura

Portugal firma acordo para importar goiabas brasileiras

Portugal está a comprar goiabas diretamente de produtores brasileiros através de um acordo firmado com a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC). O acordo inédito foi realizado depois de contactos durante o 1º Encontro Internacional para Exportação de Hortifrúti do Norte Pioneiro do Paraná.

Carlópolis produz goiaba durante todos os meses do ano, graças ao sistema de poda total, consolidando-se como o município com maior produtividade desta fruta no Paraná, e um dos maiores do Brasil. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), cerca de 390 hectares são usados para o cultivo na área limitada pela indicação de proveniênia e o potencial de produção é de 23 mil toneladas por ano em condições de clima normais.

De acordo com João Victor Bovo, responsável pelas exportações da FG frutas – empresa que fez a primeira venda dos frutos para Portugal –, o principal atrativo é o selo Global G.A.P, obtido pela cooperativa de produtores. Trata-se de uma certificação de referencial global para as boas práticas agrícolas, que protegem quem pratica uma agricultura segura e sustentável.

“Na cidade pude comprovar a qualidade das produções, das frutas e o cooperativismo existente. Outro detalhe que me chamou atenção foi o dinamismo e comprometimento dos produtores”, diz Bovo.  “A expectativa é que possamos estabelecer um contrato permanente com a COAC e depois expandir a quantidade da carga e de compradores”, complementa.

“Encontramos em Carlópolis condições climáticas favoráveis associadas a um grupo de produtores interessados em melhorar seu trabalho e crescer. O envio destas primeiras cargas para outros países é a conclusão de que estamosa  trabalhar no caminho certo, de que as ações promovidas pelas entidades e produtores foram assertivas”, afirma o consultor Odemir Capello, que dá apoio ao empreendedorismo dos produtores de goiaba brasileiros.

A visão dos produtores

Para a produtora rural Inês Sato Sasaki, que trabalha no campo há mais de 20 anos, a visão dos produtores é de bastante otimismo. Mas conta que em 2016, ano em que iniciaram um projeto para a profissionalização do cultivo na região, ainda não plantava goiabas.

“Acreditei naquela proposta porque tinha confiança de que produtos certificados e o trabalho cooperado são mais eficientes e têm mais chances de conquistar novos mercados. Plantei os meus primeiros pés e abracei a iniciativa. Estou muito feliz com a exportação, é a realização de um sonho, uma alegria imensa. Sou grata a todas as entidades que nos ajudaram”, frisa Inês.

Nesse sentido, Noriak Akanatsu, produtor e presidente da COAC, também comemora a venda para a Europa. Além disso, também destaca que o negócio foi fechado graças à presença do comprador in loco, nas propriedades, o que acabou por permitir comprovar o compromisso com a qualidade na produção.

“Estamos em ritmo de comemoração. Entendemos que esta oportunidade de exportação poderá reduzir o excesso de goiaba no mercado interno, que atualmente sofre com a alta produção e preço abaixo do custo. Juntos podemos competir melhor e trabalhar para que todos possam crescer ainda mais”, afirma o presidente da COAC.

De acordo com a Pesquisa de Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 o Brasil produziu mais de 578.600 toneladas desta fruta, sendo que a goiaba movimenta a agroindústria de doces, gerando renda para 6 mil pequenos produtores em todo o país. A receita anual dos pomares ronda os R$ 800 milhões (cerca de € 229 milhões).