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UÉ desenvolve dispositivos para combater praga de insetos voadores

Estação de captura de insetos, feito pela UÉ

Estação de captura

A Universidade de Évora ( [1]) desenvolveu três dispositivos para captura em massa de insetos voadores, em particular a mosca-da-azeitona [2] (Bactrocera oleae). Estes dispositivos funcionam em todos os regimes de plantação de olival (tradicional, intensivo e superintensivo). Em comunicado, a UÉ refere que os sistemas aguardam atribuição de patente europeia.

Foram concebidos dois modelos de estações de captura massiva, de forma cilíndrica, para serem colocadas verticalmente. Além disso, possuem duas extremidades abertas para maximizar a circulação do ar no interior. A abertura superior permite “a libertação fácil e eficiente dos voláteis atrativos, ao redor da armadilha, a uma distância de pelo menos 10 metros, assim como a fácil entrada dos insetos a capturar, atraídos por esses voláteis”. A retenção dos insetos é feita através de eletrocussão (modelo ‘Eletrocutor’) ou de placas cromotrópicas adesivas (modelo ‘Adesivo’).

 

As duas estações de captura apresentam um desenho externo semelhante. No entanto, uma possui um eletrocutor. Já a outra utiliza placas amarelas com adesivo. Para funcionar, são necessárias apenas 11 a 12 destas estações por hectare. Estes números são menores em relação às 57 armadilhas do tipo Olipe necessárias para o mesmo efeito.

Interior do modelo ‘Eletrocutor’ e do modelo ‘Adesivo’, respetivamente.

Interior do modelo ‘Eletrocutor’ e do modelo ‘Adesivo’, respetivamente.

Para além destes dois dispositivos, foi também criado um armadilha ‘Horizontal-tubular’. O dispositivo possui um corpo externo tubular e um esqueleto em espiral ou linear, sendo afixado horizontalmente. No seu interior é colocada uma solução atrativa volátil, adicionada com inseticida. Esta solução atrai os insetos, que morrem após ingeri-la. Para o funcionamento eficaz é necessário a instalação de 30 destas estações por cada hectare.

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Modelo ‘horizontal-tubular’

Modelo ‘horizontal-tubular’

Surgimento da ideia

Fernando Rei, investigador no MED [4] – Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, é o criador desta ideia. Este método de captura é uma alternativa ao uso de químicos.

“A mosca-da-azeitona é uma praga chave do olival que pode reduzir em mais de 90% a produção de azeitona para azeite”, explica Fernando Rei. Sendo que na tentativa de limitar esses insetos, a utilização de inseticidas químicos tem sido uma constante “com um impacto significativo no meio ambiente”, acrescenta.

Outra das razões para o desenvolvimento desta ideia é o “esforço logístico” da técnica de armadilhas do tipo Olipe (a técnica mais difundida para captura), “que inviabiliza a sua utilização prática”. Esta técnica consiste na utilização de uma garrafa de plástico de litro e meio que contem uma solução que atrai os insetos adultos da praga.

Os três dispositivos para captura em massa de insetos foram desenvolvidos pelo laboratório de Entomologia da UÉ no âmbito do projeto “A Proteção Integrada do olival alentejano. Contributos para a sua inovação e melhoria contra os seus inimigos-chave”. Foi cofinanciado através dos Programas Alentejo 2020, Portugal 2020 e pelo FEDER. Além disso obteve colaboração dos Laboratórios de Engenharia Rural e de Mecatrónica, da UÉ.