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Universidade de Évora quer tornar olival mais resistente às alterações climáticas

A Universidade de Évora ( [1]) está a liderar o OLEAdapt, um projeto para a resiliência do olival face às alterações climáticas [2]. Para tal, está a definir uma estratégia sustentável para a gestão de pragas em olivais [3] através do estudo da diversidade e das variedades de oliveiras em Portugal. O objetivo é “dotar os agricultores de conhecimento sobre as variedades que devem apostar”.

Para definir as variedades de olival em que se deve apostar mais no país, o grupo de investigação vai combinar as projeções climáticas com uma estratégia de gestão dos serviços de controlo biológico fornecido por morcegos.

Será necessário “realizar uma análise fina dos impactos ecológicos e económicos, provocados pelas alterações climáticas”, considera José Herrera, o investigador do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Évora (MED-UE [4]), que se encontra a coordenar o projeto OLEAdapt.

José Herrera resume que é necessário “aumentar a resiliência sem implicar as alterações nas culturas”. O projeto pretende agora “selecionar as variedades que tolerem fisiologicamente os novos regimes climáticos permitindo aos agricultores continuar a cultivar nas mesmas regiões”, revela.

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Face ao aumento da dependência de produtos sintéticos, causada pela maior incidência de pestes, o investigador do MED-EU considera “necessário encontrar respostas para melhorar os serviços de controlo biológico” (nomeadamente o controlo de pragas providenciados por inimigos naturais locais). Este aspeto “tornou-se um fator chave para a adaptação de culturas agrícolas às alterações do clima ao reduzir as perdas provocadas por pragas com práticas de gestão sustentável em termos ambientais e de biodiversidade”, acrescenta.

Génese do projeto

“Avançamos com esta investigação porque o olival é uma das maiores e economicamente mais relevantes culturas agrícolas em Portugal” sustenta o investigador. Os agricultores “assumem neste projeto um papel de extrema importância”, revela o coordenador do projeto. Eles “possuem o conhecimento de determinadas particularidades e a localização das diferentes variedades de oliveira”, acrescenta.

A partilha de informação através de conversas informais entre investigadores e agricultores e a aplicação de inquéritos está na base deste projeto. Até agora, a investigação tem-se focado em explorar diversidade intraespecífica de culturas.

O projeto OLEAdapt é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em parceria com investigadores do MED [6], pelo Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL [7]) e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV [8]).