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7 tendências que vão mudar a forma como nos alimentamos

Foi durante o evento Bühler Networking Days 2019 [1], que decorreu na Suíça, que o Chief Technology Officer (CTO) da Nestlé, Stefan Palzer, falou daquelas que acredita que serão as tendências globais que mais irão moldar o futuro da alimentação. De acordo com o especialista, tendências de consumo como o veganismo e as preocupações ambientais são desafiantes para a agroindústria [2], contudo, podem ser uma oportunidade para o desenvolvimento de novas categorias de produto.

“Temos de continuar a renovar os nossos produtos com base nas necessidades da sociedade”, defendeu durante o seu discurso. Segundo a publicação Food Navigator, Stefan Palzer acredita que o futuro da alimentação será marcado, sobretudo, por sete grandes tendências. Saiba quais.

Nutrição de base vegetal

“Vimos, ao longo dos últimos anos, mudanças na forma como os consumidores percecionam o valor da comida. Existe uma explosão de diferentes padrões de dietas alimentares. Provavelmente, atualmente, muitos de vós têm um vegetariano ou um vegan na família: eu tenho três. Sou o único carnívoro na família. Isto está a causar muitas mudanças, mas também muitas oportunidades na área alimentar”, explicou Stefan Palzer. “Estamos a observar mudanças dramáticas no negócio. Vemos fragmentação e muitas startups. A comida está a tornar-se cool. Vemos isso nos blogs e na TV. A comida é um tema muito atrativo”, acrescentou.

A comida tem de ser ‘instagramável’

Com o contínuo crescimento das redes sociais, a forma como a comida é vendida e promovida também está a mudar, explicou. É preciso mais novidades e maior diversidade.

“Isto está a ser impulsionado pelas redes sociais. Há muitos bloggers e influencers que todos os dias partilham produtos atrativos. Aqui, a arquitetura e a cor dos produtos têm um papel crucial porque não é possível partilhar o aroma e o sabor através das redes sociais. Por isso, tem de ter um aspeto cool. (…) [A comida] precisa de ‘instagramabilidade’”, explicou ainda.

Inovação e variedade são mais importantes que nunca

Estas tendências estão a obrigar a indústria alimentar a inovar e a alargar a sua gama de produtos. “Um dos segmentos que está a crescer mais rápido é o da ‘carne vegan’, com as marcas a tentarem desenvolver produtos que mimetizem a carne em termos de textura, cor, sabor e aparência”, diz.

Esse é, aliás, um segmento no qual a Nestlé já está a apostar, com uma gama de hambúrgueres de base vegetal. “Usamos beterraba para dar a cor, que durante o processo de confeção se torna castanha. O produto tem pouco colesterol e muito pouca gordura, por isso, tentamos encontrar um perfil nutricional melhor e as emissões de gases com efeito de estufa são reduzidas em cerca de 90% comparativamente a um bife”, revelou ainda Stefan Palzer. Além disso, o CTO da Nestlé explica que os produtos ‘autênticos’ estão a gerar muito interesse no mercado, assim como novidades como as pizzas sem farinha de trigo, substitutos dos lacticínios, águas alcalinas e inovações como o ‘nitro-coffee’, uma espécie de fusão entre o café e a cerveja.

Plásticos biodegradáveis

Stefan Palzer mostrou-se ainda otimista em relação ao combate contra a poluição causada pelo plástico. “O desperdício de plástico é um problema enorme. E temos diversas soluções. Tentamos evitar os plásticos, fazemos com que seja mais fácil reciclá-los [3] e temos trabalhado em embalagens de papel. Contudo, não é fácil oferecer a mesma proteção que tem uma embalagem de plástico com uma embalagem de papel. O plástico existe por uma razão – para proteger o produto. Temos alguns desenvolvimentos, nomeadamente uma camada que reveste o papel com um material biodegradável. Isto é novo e tenho esperança de que seja uma boa solução”, revelou ainda.

Reduzir a pegada de carbono

O CTO da Nestlé aproveitou ainda para falar do futuro da alimentação quando as previsões apontam para que a população mundial atinja quase os 11 mil milhões de pessoas já em 2050. [4] “As emissões de gases com efeito de estufa são um problema enorme” que, de acordo com Stefan Palzer, os consumidores esperam que seja resolvido pela indústria [5], reduzindo o seu impacto no problema. “É um requisito fundamental para qualquer produto alimentar que esteja no mercado”, avisou.

Colaboração é crucial

Com o Nestlé Accelerator, em Lausanne, na Suíça, a inaugurar no final deste ano, a empresa espera colocar lado a lado cientistas, estudantes e startups para colaborarem no desenvolvimento de inovações para a indústria alimentar. Uma aposta que, segundo o CTO da Nestlé, permitirá criar respostas eficazes para o futuro da alimentação. [6]

A importância da alimentação para a saúde do consumidor

Um dos maiores desafios da indústria será a oferta de soluções saudáveis e acessíveis a todos [7] os consumidores. Stefan Plazer defende que “como indústria temos de fazer muito mais a este nível.” De acordo com o CTO da Nestlé, estas novas tendências trazem novas ameaças e “existe o risco de as pessoas desenvolverem deficiências em determinados nutrientes. A prevalência de deficiências de vitamina B12 e de ferro entre as pessoas vegan é muito elevada. Temos de estar atentos a isto”, disse ainda.