Quantcast
Nutrição

Dicas nutricionais para os produtores de Góji

góji - bagas

Os Estados Unidos da América são os maiores produtores de bagas seguidos do Canadá, Polónia, Alemanha e México.

Desidratadas, adicionadas a iogurtes e batidos, consumidas ao natural, transformadas em infusões ou adicionadas a cereais de pequeno-almoço, as bagas de goji apresentam-se na distribuição moderna como superalimentos.

Conhecidas há mais de 2000 anos, têm origem no Tibete. Segundo a lenda, os monges tibetanos bebiam a água que resultava da queda de bagas de Goji dos arbustos sobre um poço e viviam durante mais anos. Reza a história que Li Qing Yuen viveu por 252 anos (de 1678 a 1930) e a sua dieta consistia principalmente em bagas de goji.

A ingestão de bagas de goji é associada não à obtenção à resposta antioxidante como à melhoria do controlo metabólico da glicémia, melhoria do perfil lipídico, melhoria da função renal, hepática e pulmonar. Um estudo, publicado em 2008, revelou que quando atletas ingeriram sumo de bagas de goji, diariamente, e durante 14 dias, obtiveram maiores níveis de energia e melhor performance atlética, assim como qualidade de sono, regulação do trânsito intestinal, menores níveis de stress e fadiga. No entanto, não existe evidência científica que suporte estes benefícios para a saúde.

“É importante que se ensine ao consumidor que as bagas de góji têm um tempo de vida útil maior quando armazenadas em ambiente refrigerado.”

O Observatório de Interacções Planta-Medicamento aconselha cautela no consumo destas bagas em indivíduos medicados com varfarina, fenitoína, losartan, fluvastatina, entre outros.

Considerando a sua composição nutricional, as bagas de goji apresentam, pelo menos, 19 aminoácidos, 8 deles aminoácidos essenciais, 21 minerais e proteínas e são verdadeiramente uma fonte de carotenóides. São compostas por vitamina C, vitamina B, vitamina E e ácidos gordos essenciais. Contém uma grande percentagem de açúcares de cadeia longa – polissacarídeos (36% nas bagas cultivadas, maior quantidade nas silvestres).

As bagas de Goji frescas são extremamente difíceis de encontrar, pois tratando-se de um fruto bastante “frágil”, a simples colheita pode danificar o fruto, e o seu tempo de prateleira é reduzido. Apesar de haver sempre alguma perda nutricional no processo de secagem do Goji, esta perda é muito reduzida. Considerando o elevado teor de nutrientes das bagas, após secagem, continuam a ser uma fonte riquíssima de nutrientes. Ainda, é possível demolhar-se as bagas e hidratá-las novamente.

Um dos desafios do Movimento 2020 da Associação Portuguesa de Dietistas (APD) é o aumento do consumo de fruta. Considerando o preço das bagas de goji, podemos pensar em incluí-las semanalmente ou quinzenalmente quando planeamos a nossa ingestão diária de 3 peças de fruta por dia, no mínimo, o que também é defendido pela APD e faz parte da essência da Dieta Mediterrânica. Uma porção de bagas de goji desidratadas corresponde a 20g, ou seja, duas colheres de sopa. As bagas secas por si só, são um alimento prático para levar para o lanche no emprego ou na escola, e uma excelente forma de ingerir mais fruta.

Dica para o produtor

Sendo um fruto “pouco” consumido, podem existir dúvidas relativamente às formas de armazenamento e conservação destes frutos. É importante que se ensine ao consumidor que as bagas de goji têm um tempo de vida útil maior quando armazenadas em ambiente refrigerado mas deve higienizar-se as bagas antes, com recurso a uma mistura de vinagre e água numa proporção 1:3.

Referências bibliográficas

Go Chi. Amagase, H., Nance, D.M. Freelife International, LLC, Phoenix, AZ. A randomized, double-blind, placebo-controlled, clinical study of the general effects of a standardized Lycium barbarum (Goji) Juice, Journal of Alternative and Complementary Medicine, 2008 May;14(4):403-12.

Cheng et al. An evidence-based update on the pharmacological activities and possible molecular targets of Lycium barbarum polysaccharides. Drug Design, Development and Therapy 2015:9 33–78

Harris et al. Investigating Wild Berries as a Dietary Approach to Reducing the Formation of Advanced Glycation Endproducts: Chemical Correlates of In Vitro Antiglycation Activity. Plant Foods Hum Nutr (2014) 69:71–77

Joseph et al. Berries: Anti-inflammatory Effects in Humans. J. Agric. Food Chem. 2014, 62, 3886−3903

Lasekan O. Exotic berries as a functional food. Curr Opin Clin Nutr Metab Care 2014, 17:589–595

Shin Yi et al. Application of Bioactive Natural Materials-based Products on Five Women’s Diseases. Journal of Menopausal Medicine 2015;21:121-125

Ulbricht et al. An Evidence-Based Systematic Review of Goji (Lycium spp.) by the Natural Standard Research Collaboration. Journal of Dietary Supplements, Early Online:1–57, 2014

Artigo publicado na edição de março de 2016 da revista VIDA RURAL