Um passo à frente no Enoturismo

Um passo à frente no Enoturismo

O grupo Sousa Cunhal está a lançar um projecto de enoturismo inovador. A ideia é aliar um investimento imobiliário à agricultura e vender moradias com lotes de vinha e olival agregados onde os proprietários podem fazer o seu próprio vinho recorrendo aos serviços de consultoria e equipamentos da adega do grupo. O L’and Vineyards inaugura em Março e promete democratizar a produção de vinho. Em Montemor-o-Novo.

O grupo Sousa Cunhal está a lançar um projecto de enoturismo inovador. A ideia é aliar um investimento imobiliário à agricultura e vender moradias com lotes de vinha e olival agregados onde os proprietários podem fazer o seu próprio vinho recorrendo aos serviços de consultoria e equipamentos da adega do grupo. O L’and Vineyards inaugura em Março e promete democratizar a produção de vinho. Em Montemor-o-Novo.

Porquê este projecto turístico no seio do grupo Sousa Cunhal, claramente ligado à actividade agrícola, com a emblemática Herdade do Freixo do Meio?

O grupo esteve sempre ligado à agricultura e à pecuária, mas em 2002/03 a empresa resolveu apostar na área do turismo, dado que é um dos principais vectores de desenvolvimento do país, fazendo obviamente a ligação a um sector onde já tínhamos uma experiência comprovada. E surgiu esta ideia…

Nessa fase estávamos a falar exactamente de que tipo de turismo?

Agro e enoturismo. Os projectos L’and Vineyards surgem mais tarde, em 2006, numa tentativa de fazer uma evolução do enoturismo para um projecto mais abrangente e que pudesse de forma mais alargada reunir todas as áreas onde a empresa já operava, com enfoque na sustentabilidade e na produção agrícola, juntando no projecto conceitos inovadores, como a arquitectura de autor.

O que é exactamente o projecto L’and?

É um empreendimento turístico de cinco estrelas, localizado em Montemor-o-Novo, desenvolvido numa área de 66 hectares. É composto por núcleos de moradias integradas em lotes de terreno que variam entre os 2000 e os 10?000 m2, onde os proprietários podem desenvolver nesses terrenos a sua produção agrícola, sendo a principal âncora a produção de vinho totalmente personalizada.

A vinha está localizada junto às moradias ou num espaço comum onde são detentores de uma pequena parcela de uma vinha central?

A grande diferenciação é exactamente proporcionar a propriedade da vinha privada. No seu lote de terreno os proprietários têm uma parcela de vinha que é totalmente sua, onde nós auxiliamos na gestão e na manutenção da vinha disponibilizando os nossos serviços para isso.

Tem de ser necessariamente vinha?

Não, o projecto é mais abrangente. A vinha representa o pilar do conceito, mas ele abrange também o olival e hortas biológicas, onde se podem produzir outros produtos, quer para consumo próprio, quer para comercializar.

A comercialização desses produtos terá sempre de passar pela venda ao grupo Sousa Cunhal?

Não queremos tornar os proprietários produtores agrícolas massivos, mas apenas proporcionar-lhes essa experiência, daí estarmos receptivos a sermos potenciais compradores. Mas obviamente que são livres de vender como e a quem quiserem…

Já está a ser plantada vinha e olival? Quando se compram as casas a cultura já lá está?

Nós plantámos uma área significativa de vinha, porque é esse o conceito do projecto, no entanto não é uma imposição a quem compra. Temos opções de lotes com vinha privada e sem. No entanto, damos a possibilidade a quem adquire um lote sem vinha de poder utilizar a vinha central do empreendimento, propriedade da Sousa Cunhal Turismo, e os proprietários podem utilizá-la para produção própria.

Uma espécie de arrendamento?

Não lhe chamaria isso, estamos a falar de uma vinha de uso comum, que a Sousa Cunhal gere, mantém e explora, e o proprietário pode comprar uvas de determinadas castas, beneficiar do apoio e consultoria do enólogo do grupo e utilizar a adega central para fazer o seu vinho.

A ideia é também rentabilizar a adega com estas micro produções?

Exactamente.

Que aceitação está a ter este projecto, numa altura de forte crise económica? A primeira fase é para Janeiro de 2011…

O L’and foi lançado, em projecto, em 2008, numa altura em que já existiam fortes indícios de que o mercado imobiliário, especialmente o residencial turístico, estava claramente em queda. No entanto, as características diferenciadoras, a localização e o facto de não estarmos apenas a oferecer uma moradia, um produto imobiliário, mas sim um pacote alargado de serviços premium aliado à experiência do vinho, fazem dele um projecto que acrescenta valor. Isto fez com que a aceitação no mercado nacional fosse claramente positiva, estamos neste momento com cerca de 40% das unidades vendidas nesta primeira fase [entrevista realizada em Outubro de 2010], e fizemos uma comercialização muito focada no mercado nacional…

Com esta vertente agrícola associada, dificilmente se poderá comercializar no estrangeiro, implica uma presença mais contínua…

Sim, mas como oferecemos uma gama de serviços de gestão e manutenção, isso permite que o cliente possa estar ausente uma boa parte do ano. A estratégia de focar a comercialização em Portugal tem a ver com a debilidade dos mercados britânico e espanhol, que são os nossos mercados óbvios por razões históricas e de proximidade, e que estão em retracção em termos de procura imobiliária. Como o projecto nesta fase tem uma dimensão limitada, pensámos que mais facilmente seria aceite em Portugal e que o esforço de comercialização seria menor.

De quantas moradias estamos a falar?

Nesta fase, 75.

E há um hotel associado?

Sim, temos um conceito de hotel um pouco diferente do convencional. As nossas moradias em banda vão funcionar como quartos de hotel.

A gestão hoteleira será entregue ao grupo Lágrimas?

Sim, são os nossos parceiros neste projecto, embora a gestão seja feita por uma empresa que irá ser criada onde a Lágrimas Hotels & Emotions tem 50% do capital e a Sousa Cunhal Turismo os restantes 50%. Vamos aproveitar a experiência e o know­­ how do grupo Lágrimas nesta área.

E porque este grupo e não outro?

É a primeira vez que trabalhamos com eles, e surgem como uma opção óbvia tendo em conta o tipo de hotéis que gerem, a sua dimensão e o tipo de serviços que oferecem.

Haverá também um SPA. Vão aproveitar o vinho para esse conceito?

O conceito L’and é também de wine resort. Vamos ter um SPA, ainda não definimos quem vai gerir, mas a ideia é que os produtos agrícolas da propriedade possam ser utilizados nos diferentes tratamentos: vinho, azeite, etc..

Disse-me que a vinha já está ser plantada?

Sim, temos neste momento sete hectares que plantámos em 2007. Já a entrar em produção, fizemos este ano a primeira vindima. O enólogo responsável é o eng. Paulo Laureano.

A ideia é também produzir um vinho com marca Sousa Cunhal para estar no mercado?

Sim, na vinha central, com cinco hectares nesta fase, vamos fazer a produção de vinho marca L’and para comercializar no mercado. Obviamente não iremos só produzir vinho mas também outros produtos com marca L’and.

Que castas escolheram?

Essencialmente Touriga Nacional, Touriga Franca e Alicante Bouschet. A ideia é complementar essas castas com outras que existem nas herdades do grupo. A Sousa Cunhal já produz vinho, noutras herdades e estamos muito focados na produção de tintos.

Os proprietários podem fazer qualquer tipo de vinho, ou seja, a adega está preparada para pedidos de produção de espumante ou late harvest por exemplo?

Sim, o objectivo é mesmo esse, a experiência de vinho. Inclusivamente, se um proprietário quiser produzir um vinho de uma casta que não temos, estamos disponíveis para o ajudar a comprar uvas fora que lhe permitam fazer essas experiências.

Que perfil de pessoas estão a atrair? Mais urbanos, lisboetas?

Estamos a falar de pessoas maioritariamente residentes na área da Grande Lisboa e Grande Porto, claramente urbanos, mas pessoas que, independentemente do local onde vivem, têm alguma familiaridade com o campo e com os ambientes rurais. E apreciadores do Alentejo que em Portugal são cada vez mais, e que procuram enriquecer as suas vidas ampliando os seus conhecimentos de vinho. E que sempre sonharam em poder produzir o seu próprio vinho. É uma actividade complexa, que exige imensa dedicação e know-how, e encontram aqui a combinação perfeita, associando algum conforto e sofisticação.

Estamos a falar de que ordem de preços?

Temos preços que vão desde os 200?000 aos 800?000€. E este intervalo grande deve-se ao facto de as tipologias variarem entre T2 e T6 e os lotes de terreno poderem variar na dimensão. Acresce um custo mensal de condomínio. E paralelamente existem os custos associados à produção de vinho. Os proprietários acompanham os concursos que fazemos aos fornecedores, seleccionam os orçamentos que querem que sejam adjudicados e suportam esses custos.

Quem está a comprar neste momento está a adquirir lotes com vinha ou a mostrar vontade de fazer vinho?

Sim, 90% dos nossos compradores querem fazer vinho e ter vinha. O vinho é importante, dá um carácter único e diferenciador ao projecto, este é o único wine resort da Península Ibérica e dos poucos existentes da Europa. A inauguração será em Janeiro e a abertura ao público em Março.

A arquitectura é um factor importante?

Temos cinco núcleos de moradias e cada núcleo tem um arquitecto diferente, três nacionais e dois internacionais.

O conceito é claramente de arquitectura moderna, no entanto os arquitectos foram convidados a desenhar seguindo um conceito único: a reinterpretação das casas pátio do mediterrâneo. E cada arquitecto faz a sua interpretação, e isso também é tido em conta, porque há um ambiente rural mas a arquitectura, sendo moderna, respeita o ambiente onde está integrado.

O nosso projecto de paisagismo inclui a plantação de pomares de laranjeiras, limoeiros e um amendoal para que as pessoas possam produzir as suas compotas e fazer amêndoas torradas, etc. Temos uma equipa que aconselha agronomicamente, embora a ideia seja o mais possível biológico… Porque mesmo no vinho a nossa filosofia é 100% biológico, temos esta ideia muito bem enraizada, da produção sustentável e biológica. Fazemos vinha há três anos praticamente sem tratamentos e a rega da vinha e de todos os espaços verdes é feita com água do lago do empreendimento. Este conceito passa essencialmente pela produção sustentável, sabemos que na vinha é complicado gerir em modo biológico, mas tentamos manter o mais possível este espírito.

Qual foi o investimento total no projecto?

44 milhões de euros nas duas primeiras fases.

Com capitais próprios do grupo ou recurso à banca?

O grupo Sousa Cunhal já era detentor desta herdade [Herdade das Valadas], não necessitou de comprar terra. O projecto está a ser desenvolvido essencialmente com capitais próprios, temos uma parceria com o Barclays para a parte da infra­ estruturação do terreno.