Batata dcoe

Batata doce cresce no sudoeste alentejano

Batata doce cresce no sudoeste alentejano

A batata doce encontrou no sudoeste alentejano condições naturais ideais para o seu desenvolvimento. A qualidade do produto garantiu o reconhecimento como produto com Indicação Geográfica de Proveniência (IGP) e o número de produtores tem crescido, com os olhos postos na exportação.

A campanha deste ano foi boa em termos de produção e qualidade, diz Manuel Marreiros, presidente da Associação de Produtores de Batata Doce de Aljezur. O número de sócios que certificaram batata passou de 11 para 18. “A associação tem cerca de 40 sócios ativos mas nem todos certificaram a batata” – refere o mesmo responsável. “A batata-doce de Aljezur certificada não ultrapassou as 160 toneladas, sendo a maior parte dos sócios do concelho de Aljezur”.

Quanto a produtividade, há anos em que se conseguem 15 toneladas por hectare, mas 12 toneladas já é considerada positiva. A área total cultivada com lpomoea batatas é incerta. A Associação de Produtores de Batata Doce de Aljezur dispõe apenas elementos relativos aos associados, que somam “entre 70 e 80 hectares”. No concelho algarvio, a área de cultivo é, em regra, superior a um hectare. Já no Alentejo, “a média é muito maior. Os nossos associados, em média, plantam menos de um hectare”. Manuel Marreiros sublinha que a produção conseguida não é suficiente para abastecer mercados estrangeiros. Contudo, há dois agricultores que estão a planear a exportação.

Quanto a preços, nos últimos anos a Associação de Produtores de Batata Doce de Aljezur tem pago, aos associados, 0,90 cêntimos por quilograma e vendido a 1,20 euros.

A batata doce de Aljezur IGP é cultivada apenas nas freguesias litorais daquele concelho do Barlavento algarvio e no Alentejo, entre São Teotónio e Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira. A única cultivar aprovada é a lira. O modo de cultivo é o tradicional. A campanha inicia-se com a preparação do viveiro, entre janeiro e março, e a plantação começa em finais de maio e vai até finais de junho. “A colheita ocorre, em regra, em outubro, sendo o tempo de gestação de cerca de quatro meses”.

“A variedade lira, produzida nestas condições, faz desta batata a mais doce de todas e quando comida crua tem um sabor a castanha. É amarela clara, mais dura que as outras variedades, com menos água, o que concorre para uma melhor conservação que as outras variedades) e depois de cozida ou assada mantém uma estrutura mais consistente que qualquer outra variedade”.

Para Manuel Marreiros, a viabilidade da cultura noutras localizações não é provável. “Durante o processo que levou ao registo europeu foi desenvolvido (durante anos) um processo de experimentação da cultura da batata lira e de outras variedades noutras regiões do país e em Espanha. Os resultados concorreram para a conclusão de que só nesta região, do Sudoeste de Portugal, a batata lira mantinha a qualidade que aqui é conseguida. Por esta razão, duvidamos que em qualquer outra região do país se possa produzir esta batata de forma a reunir a qualidade que aqui é reconhecida”.

Em Grândola e Alcácer do Sal há também cultivos, tal como nos Açores e na Madeira. Manuel Marreiros reconhece a qualidade das produções insulares, mas denuncia existirem situações de comercialização abusiva com a IGP de Aljezur. Quanto a quantidades, reconhece desconhecer a dimensão.

O cultivo deste tubérculo tem sentido o abandono dos campos. Este responsável refere uma estabilidade da área ou um ligeiro crescimento. “Contudo, depois do registo europeu, essa situação está a mudar. Já há mais gente nova a produzir, embora ainda, como atividade complementar. Empresas agrícolas de alguma dimensão estão agora a produzir também esta batata. Com a dinamização da comercialização e promoção do produto estamos convictos de que a produção irá aumentar”.