Agricultura

CAP contesta comunicado das ONGs sobre medidas suspensão do ‘greening’

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Depois de seis organizações ambientais terem contestado a possibilidade de os produtores poderem agora praticar o pastoreio nas áreas de pousio sem serem obrigados à diversificação de culturas nas explorações cerealíferas, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) veio manifestar o seu apoio a estas medidas.

“Estamos, portanto, a falar de duas medidas muito específicas, entre todas aquelas que os agricultores continuam a cumprir para benefício do clima e do ambiente, que visam, como salientou o Ministério da Agricultura, ‘assegurar a alimentação animal na pecuária, bem como contribuir para atenuar as eventuais dificuldades de aprovisionamento de cereais’”, destaca a CAP em comunicado enviado à redação.

A CAP considera que a postura das organizações é “totalmente incoerente”, uma vez que “atacaram desde sempre a aplicação destas práticas benéficas para o clima e para ambiente, impostas pela Política Agrícola Comum (PAC), por considerarem que tinham um benefício nulo para o ambiente”

A Confederação manifestou assim o seu apoio “inequívoco a estas medidas específicas tomadas pelo Ministério da Agricultura”, destacando a sua importância no contexto da “valorização ambiental da agricultura”.

A CAP acrescentou ainda que “repudia na íntegra o referido comunicado conjunto” por considerar que “revela profundo desconhecimento técnico” e refere que este é “ideologicamente orientado, sem evidências que o sustentem”.

Sobre os cereiais, a confederação justifica que Portugal “não é autossuficiente em cereais e terá sempre que depender de importações para satisfazer as suas necessidades” e questiona se não será melhor esta medida à importação, tendo em conta que “existem, no nosso país, áreas adequadas para estas culturas e que permitirão aumentar um pouco mais a sua produção internamente”. No caso da permissão do pastoreio das áreas de pousio, questionam se não será “melhor os animais alimentarem-se desta forma, do que aumentar-se o consumo de rações, quando muitos dos seus componentes são, igualmente, importados”.

A CAP refere também no comunicado que a medida apenas se aplica a “área agrícola superior a 15 hectares, mantendo-se inalterados todas as demais regras ambientais em vigor”, considerando a medida “economicamente racional e valorativa da produção nacional” e “com impacto ambiental positivo e com um impacto direto na redução das emissões”.

A confederação defende ainda que “a agricultura sustenta o mais elevado dos valores: o da vida humana. Sem agricultura não há alimentos, sem alimentos não há vida”, porém reconhece que “há sempre espaço para melhorar práticas e conciliar o bem maior de produzir alimentos que sustentam a vida humana com outros valores que são importantes, como o ambiente, o clima e a biodiversidade” e apela ao diálogo.