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Cersul aposta em cereais biológicos para rentabilizar explorações alentejanas

Para contrariar a tendência de perda de rentabilidade devido à perda de área de produção de cereais no Alentejo, a Cersul está a apostar em cereais biológicos. De acordo com o Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul, a aposta passa por trigo, cevada e aveia biológicos, três culturas “muito procuradas e melhor remunerados pela indústria de pão e massas alimentares”.

“Buscamos alternativas à agricultura convencional para conseguir melhores preços e os cereais biológicos podem ser uma via. Apesar de estimarmos uma diminuição de 20% no volume de colheita face ao convencional, o valor pago pela indústria de panificação pelos cereais biológicos pode ser 50% superior”, explica Alfonso Cerezo, agricultor associado da Cersul que acolheu um ensaio de cereais biológicos na sua exploração em Elvas.

 

Luís Bulhão Martins, administrador da Cersul, acrescenta que “o objetivo da Cersul é colocar a produção agrícola dos seus associados em segmentos de mercado melhor remunerados e tudo faremos para que os nossos cereais sejam cada vez mais produtos de valor acrescentado e menos commodities”.

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Recentemente, a Cersul instalou um campo de ensaio de cinco hectares de cereais de outono-inverno (trigo mole, trigo duro, cevada e aveia) para testar sementes e técnicas em modo de produção biológico.

 

“Em agricultura biológica o controlo das infestantes através de técnicas e opções culturais é uma regra de ‘ouro’: escolher variedades de cereais com vegetação alta e de ciclo tardio, bem como realizar sementeiras com densidades mais elevadas, ajuda a diminuir a incidência de infestantes no campo. O controlo deverá ser realizado o mais cedo possível, para evitar a propagação e crescimento das espécies invasoras, usando alfaias. O fornecimento de azoto à cultura é a maior dificuldade que os agricultores biológicos enfrentam. Não podendo recorrer a fertilizantes químicos de síntese, devem optar entre os produtos homologados para MPB, mas a sua prioridade deve ser a realização de rotações culturais longas (4 a 5 anos), alternando os cereais com leguminosas (ervilha por exemplo), que ajudam a fixar o azoto no solo, disponibilizando-o para a cultura principal (os cereais). Entre os fertilizantes orgânicos, o estrume de aves (depurado) é o mais indicado”, explica a Cersul.

Recorde-se que Portugal ainda é muito dependente da importação de cereais, produzindo apenas 20,5% dos cereais que consome. Para reduzir esta dependência, foi na passada semana apresentada a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais [2], um conjunto de medidas que pretende colocar o país num grau de aprovisionamento de cereais de 38%.