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Custos da importação global de alimentos devem diminuir

O Food Outlook da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aponta para novos e relevantes padrões emergentes no comércio global, além de doenças animais e produção agrícola.

A importação global de alimentos deve diminuir em 2019, mas os países mais pobres e vulneráveis não serão os principais beneficiários, de acordo com um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).

O mais recente Food Outlook da FAO projeta que as importações mundiais de alimentos caiam 2,5% em 2019, para 1,472 mil milhões de dólares, cerca de 1,3 mil milhões de euros.

Os custos mais baixos beneficiarão, principalmente, os países desenvolvidos, enquanto os custos de importação para a África Subsaariana deverão aumentar.

A ONU avança ainda que os custos unitários mais baixos das importações de alimentos sugerem que mais alimentos poderão ser comprados pela mesma quantidade de dinheiro, sendo que esse ganho é anulado em quase todos os países de rendimento baixo cujas moedas estão a enfraquecer em relação ao dólar dos EUA, principal moeda nas transações de comércio internacional.

Café, chá, cacau e especiarias respondem por quase metade da descida prevista, enquanto açúcar e cereais – apesar da queda dos preços internacionais da segunda opção – deverão permanecer praticamente inalterados. As melhores notícias para os países vulneráveis são as que dão conta de custos mais baixos para os óleos vegetais, que normalmente são os principais itens importados.

Principais tendências de commodities alimentares
Embora observe que o ambiente global do comércio se encontre em acelerada mudança e a rápida disseminação de doenças constituem incertezas importantes, o quadro subjacente é que os mercados mundiais estão bem supridos de muitas commodities e provavelmente contribuirão para reduzir os custos de importação dos alimentos [1].

O novo Food Outlook oferece as primeiras previsões de oferta e procura para 2019-2020, com avaliações detalhadas das perspetivas de mercado para trigo, milho, arroz, peixe, carnes, laticínios, açúcar e vários tipos de óleos vegetais.

Também oferece informações atualizadas sobre mudanças emergentes no mapa da produção e comércio global de alimentos. Os destaques vão para a Índia e Federação Russa que se encontram em consolidação da sua recente ascensão ao status de maior produtor mundial de açúcar e exportador de trigo, respetivamente, superando o Brasil e os EUA.

A rápida ascensão do Brasil como o segundo maior exportador mundial de milho, com a participação no mercado global a subir de apenas 1% há uma década para agora registar mais de 25%, também é assinalada.

O relatório da FAO destaca, igualmente, o crescimento do consumo de açúcar per capita, sugerindo que está a nivelar-se nos países desenvolvidos, encontrando-se sujeito a uma crescente atenção regulatória – incluindo impostos direcionados a bebidas açucaradas – e uma mudança nas preferências dos consumidores. Isto levanta questões sobre um setor onde os preços internacionais estão abaixo dos custos de produção em quase todos os lugares. O Brasil, por exemplo, deverá usar quase dois terços da colheita de cana-de-açúcar para produzir etanol, face aos 53% do ano passado.

O relatório também prevê uma queda de 3,4% na produção mundial de peixes capturados em 2019, esperando que a produção de aquacultura se expanda em 2019, mantendo o consumo total de peixe estável, variando, no entanto, a dinâmica em baixa no caso do salmão e bivalves ao contrário de maior abundância de camarão, robalo e dourada.