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IACA alerta que alimentação dos animais pode estar em risco devido à greve dos motoristas de matérias perigosas

A Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA) alerta esta quarta-feira (17 de abril) que caso a “crise dos combustíveis” não seja resolvida em breve, prevê que haja uma “rutura de fornecimento às explorações pecuárias nacionais”. Recorde-se que os motoristas de matérias perigosas iniciaram esta segunda-feira (15 de abril) uma greve por tempo indeterminado [1], pedindo uma revisão salarial e mudanças na profissão.

Numa nota enviada às redações, a IACA pede ao Primeiro-Ministro, António Costa, uma solução e afirma que “as explorações pecuárias podem ficar sem alimentação para os animais já amanhã por não ser possível transportá-la para os locais de consumo e o próprio transporte das matérias-primas para as fábricas que produzem esta alimentação está em causa.”

“A greve dos transportadores de substâncias perigosas no que tem sido designado como crise dos combustíveis está a colocar em causa o abastecimento de combustível aos camiões das empresas que se deslocam às explorações pecuárias para assegurar a alimentação de milhões de animais e que poderão não ser alimentados no muito curto prazo, se a situação não for normalizada nas próximas horas. Existem empresas que poderão deixar de satisfazer os seus compromissos já a partir de amanhã, colocando em causa o normal funcionamento da atividade pecuária em cerca de 84 000 explorações pecuárias e, desta forma, afetando não só um tecido empresarial que representa 2 760 milhares de euros, 38% do total da economia agrícola nacional (7 244 milhares de  euros), como também o abastecimento de produtos de origem animal à população portuguesa”, acrescenta a associação.

O Governo aprovou esta terça-feira (16 de abril) uma Resolução do Conselho de Ministros em que é reconhecida a necessidade de proceder à “requisição civil dos motoristas de matérias perigosas” que estão em greve por tempo indeterminado, contudo, os serviços mínimos decretados só abrangem 40% das operações normais de abastecimento de combustíveis aos postos da Grande Lisboa e Grande Porto.

Até à data de publicação desta notícia, 2776 dos 3000 postos de abastecimento existentes em Portugal não tinham já, pelo menos, um dos dois tipos de combustível- gasolina ou gasóleo. A falta de gasóleo afeta cerca de 1500 postos de combustível. Já a falta de gasolina afeta quase 300 postos. Na totalidade, não existe qualquer tipo de combustível em 930 postos de abastecimento.