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“Forte compromisso” é pedido para resolver crise no setor do leite

“Apenas com um forte compromisso de todos os agentes da fileira e uma atuação determinada” do Governo “será possível garantir a viabilidade dos operadores” do setor do leite [1], declararam a Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL [2]) e a Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (FENALAC [3]), face à crise que afeta a indústria leiteira portuguesa.

Em comunicado, as duas entidades explicam que, desde o início do ano, os produtores de leite [4]têm sido afetados pelo aumento dos custos de produção, principalmente ao nível da alimentação para animais. Por exemplo, desde o início do ano, os aumentos das cotações do milho e da soja rondam os 66% e os 65%, respetivamente. Aliado a isso, a forte instabilidade da cadeia logística, motivada pela pandemia, e as fortes pressões devido ao custo afetaram o setor.

O papel da grande distribuição

A ANIL e a FENALAC denunciam que as perturbações “não têm motivado nenhum tipo de alteração de comportamento por parte da grande distribuição, que continua sistematicamente a desvalorizar o produto ao praticar as mesmas condições negociais, com a agravante de, recentemente, aumentar a pressão promocional sobre os produtos lácteos”.

“A constatação de que os preços do leite à produção praticados em Portugal são inferiores à média da UE deve ser enquadrada na realidade em que os preços de venda ao consumidor do leite e dos produtos lácteos são dos mais baixos da Europa. Em que outro País da UE é possível encontrar na Distribuição leite a um preço a rondar os 40 cêntimos/litro?”, questionam as entidades.

Na sua visão, “a melhoria da remuneração da matéria-prima dos produtores de leite apenas será viável através da alteração do comportamento da distribuição”.  Ambas as associações afirmam: “Com efeito, o ímpeto do slogan publicitário da distribuição de ‘defesa da produção nacional’ não é coerente com a remuneração dos respetivos bens agrícolas, sendo o leite um exemplo paradigmático de tal comportamento”.

“Na conjuntura atual, os operadores da indústria estão impossibilitados de internalizar custos adicionais na aquisição de matéria-prima. Somente um reconhecimento por parte da distribuição do aumento dos custos de produção da fileira permitirá à Indústria melhorar a remuneração da matéria-prima junto dos Produtores”, declaram.

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Ação governamental

A ANIL e a FENALAC pedem também que o Governo agilize as exportações, “atuando muito especialmente na promoção da redução de custos de transporte e dos fretes”.

“De igual forma, sendo os Açores uma região produtora importante e com um enquadramento político-institucional diferenciado, compete também à Administração Regional promover a exportação de produtos lácteos de valor acrescentado e de características diferenciadas”, referem.

Ambas a entidades pedem também que seja fiscalizada a atuação dos operadores da distribuição em relação ao cumprimento das regras existentes em matéria de “vendas com prejuízo” e das restantes práticas desleais da concorrência.

“O papel da PARCA (Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Alimentar) tem de ser reforçado, por via da análise do funcionamento da cadeia de valor, identificando estrangulamentos e vias para a sua resolução.”, declaram.

Por fim, a ANIL e a FENALAC consideram ser importante “defender a posição dos produtores de leite em matéria de ajudas diretas ao rendimento”, num momento crucial de debate da PAC.