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“Os incêndios acontecem porque não comemos chanfana”

A importância da agricultura coesão territorial foi o tema de abertura do 1º Congresso Ibérico do Milho [1], que decorre até hoje (14 de fevereiro) em Lisboa.

Henrique Pereira dos Santos, arquiteto paisagista, enfatizou que atualmente não estamos numa fase de degradação dos sistemas naturais mas sim num processo de recuperação desses mesmos sistemas. Citou Aquilino Ribeiro com a frase “o melhor do país cheira a estábulo” e defendeu a necessidade de pastorícia para manter paisagens e prevenir o drama dos fogos florestais: “A floresta arde não porque os proprietários não limpem as terras mas sim porque não comemos borrego”, justificou. Pereira dos Santos disse ainda que a fertilidade dos solos deixou de ter como base os rebanhos e passou a depender de adubos: “E deixámos de comer mão de vaca”, atirou.

A utilidade social para as terras marginais é para este arquiteto o fulcro da questão: “o agricultor é um criador de valor e não apenas um produtor de alimentos ou fibras e a produção resolve-se no mercado”. Por isso defende que a PAC não deve remunerar sistemas produtivos mas sim pagar serviços ao ecossistema, tendo como base o papel decisivo da atividade na regulação do fogo.

A terminar a sua apresentação, Henrique Pereira dos Santos referiu que é mais barato e eficiente financiar um rebanho de cabras sapadoras [2] e um pastor, do que uma equipa de sapadores florestais: “O problema é que as políticas públicas refletem mais o interesse das pessoas que as desenvolvem do que o interesse da comunidade. E é esta dissonância cognitiva entre as políticas públicas e as necessidades do mundo rural que temos de resolver nas próximas gerações”.