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Previsões Agrícolas

Produção de cereja poderá ser a pior dos últimos 30 anos

cereja nacional

A produção nacional de cereja deste ano poderá ter sido a pior dos últimos 30 anos. De acordo com as mais recentes previsões agrícolas do INE, referentes ao mês de maio, a produtividade da cereja não deverá passar as 1,4 toneladas por hectare, uma quebra de 50% face a 2015 que terá sido impulsionada pelas condições climatéricas adversas que se registaram no mês passado, caracterizado por elevada pluviosidade.

De acordo com os dados do INE, “o mês de maio caracterizou-se, em termos meteorológicos, como extremamente chuvoso, com um valor médio da quantidade de precipitação (142,9 mm) muito superior à normal (71,2 mm), sendo o maio mais chuvoso dos últimos 22 anos.”

Devido a estas condições, a colheita de cereja nas principais zonas produtoras teve início apenas na última semana de maio, um atraso de cerca de três semanas face ao normal. “As variedades precoces registam produtividades muito inferiores às da campanha anterior, e os frutos apresentam-se rachados, depreciando a sua valorização ou impedindo a sua comercialização.”

Por outro lado, os pomares de pessegueiros também foram afectados, mas tendo em conta que se trata de uma cultura menos sensível, é expectável que a sua produtividade se situe nas 10 toneladas por hectare.

Área de milho para grão mantém tendência de quebra

As previsões de maio indicam também que as sementeiras e as plantações das culturas de primavera/verão têm sido condicionadas pela intensa precipitação que “tem saturado os terrenos e impedido que se realizem as operações culturais em condições técnicas aceitáveis.”

No caso do milho, os atrasos são generalizados e, em muitos casos, as áreas instaladas mais cedo registaram taxas de emergência tão baixas que obrigaram a ressementeiras. Segundo o INE, “apesar de ainda se irem realizar sementeiras tardias de milho para grão, de variedades de ciclo mais curto (e, naturalmente, menos produtivas), é expectável que a área semeada desta cultura seja inferior a 90 mil hectares, o mais baixo registo dos últimos 30 anos”.

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No que diz respeito às plantações de batata, as previsões do INE revelam que a primavera chuvosa poderá ter obrigado a efectuar segundas plantações em terrenos encharcados. Contudo, a área de batata de regadio deverá ficar próxima da registada no ano passado, atingindo cerca de 19 mil hectares. Na batata de sequeiro, que já iniciou a colheita, prevê-se uma quebra de produtividade na ordem dos 10% face à campanha anterior.

Chuvas atrasam plantações de tomate para a indústria

Por outro lado, os dados agora divulgados pelo INE indicam também que a plantações de tomate para a indústria estão atrasadas. No final do mês de maio, ainda estava por instalar cerca de um quarto da área total prevista (19 mil hectares). Quanto ao girassol, prevê-se um aumento de 15% da área semeada, face ao período homólogo.

Boas perspetivas para a campanha cerealífera

Segundo os dados do INE, os cereais de outono/inverno apresentavam no final de maio “um bom desenvolvimento vegetativo, tendo beneficiado da disponibilidade hídrica dos últimos dois meses.”

As previsões apontam, assim, para um crescimento dos rendimentos unitários face à campanha anterior: 5% no centeio, 15% no trigo mole, 20% no trigo duro e na cevada e 30% no triticale e na aveia.