Agricultura

Projeto internacional para combater espécies invasoras com balanço positivo

Projeto internacional para combater espécies invasoras com balanço positivo

O Life Stop Cortaderia é um projeto internacional que conta com a participação da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), e que tem como objetivo a prevenção e contenção da disseminação da erva-das-pampas, Cortaderia selloana. O projeto teve início em 2018 e apresenta agora várias ações, com um balanço positivo.

A Cortaderia é uma planta invasora que causa problemas de saúde pública e que tem proliferado em muitas vias de comunicação, pelo que o principal objetivo do projeto é a implementação de uma estratégia transnacional comum para lutar contra esta erva em todo o Arco Atlântico, de Portugal até França, passando por toda a costa Cantábrica.

Considerada uma das espécies de flora invasora mais nocivas, a erva-das-pampas trata-se de uma gramínea cespitosa perene com capacidade de produzir milhares de sementes, com alta capacidade de germinação e que são profusamente espalhadas pelo vento.

“As [espécies] invasoras podem ser controladas, porém é crucial estabelecer prioridades de intervenção e cada espécie necessita de uma metodologia de controlo específica”.  É o caso de técnicas como o descasque e o fogo controlado que podem ser utilizadas em espécies de acácias, mas não são aplicáveis à erva-das-pampas. O corte, mais frequentemente utilizado, “nem sempre é solução e a falta de conhecimento destes métodos pode levar a um agravamento da situação”, explica a investigadora Hélia Marchante, docente da ESAC e responsável pelo projeto Life Stop Cortaderia no Politécnico de Coimbra.

A participação da Escola Agrária neste projeto tem como principais objetivos aumentar a sensibilização e formação sobre a espécie junto de diferentes públicos, gerar conhecimento científico sobre a mesma e participar na elaboração da estratégia transnacional de controlo para todo o Arco Atlântico.

Já foram desenvolvidas várias ações, foi criado um grupo de trabalho para combater a erva-das-pampas no Arco Atlântico com várias entidades portuguesas, espanholas e francesas e está em consulta a primeira versão da Estratégia Transnacional de Luta contra a Cortaderia; foi realizada a cartografia da erva em Portugal e na Cantábria; foi criada uma rede de deteção precoce e resposta rápida através de app; procedeu-se à criação de perfis nas redes sociais Facebook, Instagram, Twitter e Youtube, para divulgação do projeto; realizou-se o primeiro seminário LIFE Stop Cortaderia, em outubro de 2019, no Parque Biológico de Gaia; têm sido desenvolvidas ações de formação para diferentes públicos sobre plantas invasoras e a erva-das-pampas em particular; procedeu-se ao Estudo da ecologia e morfologia reprodutiva de Cortaderia; e foram realizadas intervenções de controlo de erva-das-pampas na Cantábria, tendo sido realizado um esforço para erradicar a planta em áreas protegidas costeiras.

O projeto é coordenado pela AMICA, uma ONG de cariz social da Cantábria, que envolve ativamente profissionais com algum nível de incapacidade no controlo da espécie, conferindo ao projeto uma inovadora dimensão social na luta contra as espécies invasoras.

Ações desenvolvidas pelo projeto

  1. Criação de um Grupo de Trabalho de luta contra a erva-das-pampas no Arco Atlântico, envolvendo entidades portuguesas, espanholas e francesas, com o objetivo de partilhar informação, metodologias e resultados. Está em consulta a primeira versão da Estratégia Transnacional de Luta contra a Cortaderia, a ser divulgada no âmbito do projeto;
  2. Cartografia da erva-das-pampas em Portugal e na Cantábria, com recurso a modelação do habitat, de forma a definir áreas prioritárias de conservação, que se encontra em fase de conclusão. Em Portugal, este trabalho está a cargo da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia (o outro parceiro Português do Projeto), com a colaboração do CIBIO/InBIO da Universidade do Porto;
  3. Criação de uma rede de deteção precoce e resposta rápida, que consiste no desenvolvimento de uma aplicação para dispositivos móveis e respetiva página da internet(a ser lançada em breve) para que os cidadãos registem os avistamentos de erva-das-pampas. O objetivo é criar uma rede de entidades que possam assumir a rápida remoção das plantas registadas quando estas existem em pequenas quantidades. Em Espanha, já está disponível a ferramenta online“Alerta Plumeros”.
  4. Criação de perfis nas redes sociais FacebookInstagramTwitterYoutube, para divulgação do projeto, onde é possível ir acompanhando as atividades do projeto.
  5. Primeiro Seminário LIFE Stop Cortaderia realizado a 17 e 18 de outubro de 2019, no Parque Biológico de Gaia, organizado pela CMVNGaia, em parceria com a ESAC. Contou com a presença de mais de 100 especialistas ibéricos (Técnicos da DGAV, ICNF, IP, empresas de gestão de vegetação, associações florestais e de conservação da natureza, ONGA, municípios, investigadores, jornalistas, professores, entre outros) para discussão e partilha das suas experiências na gestão desta espécie invasora.
  6. Ações de formação para diferentes públicos sobre plantas invasoras e a erva-das-pampas em particular. As temáticas abordadas foram ajustadas ao público-alvo e incluíram: apresentação do LIFE Stop Cortaderia; as principais plantas invasoras em Portugal e como as controlar; a biologia e autoecologia da erva-das-pampas e os desafios CORTAderia. Foram já realizadas 7 formações para um total de 177 formandos (1 para a comunicação social, 3 para docentes e 3 para colaboradores da Infraestruturas de Portugal, SA (IP). As ações foram desenvolvidas pela ESAC, em parceria com a CMVNGAIA e com a colaboração pontual de outras entidades, como a IP. Preveem-se mais formações para 2020, dirigidas a novos públicos-alvo.
  7. Estudo da ecologia e morfologia reprodutiva de Cortaderia em várias zonas do centro e norte de Portugal, ação que se encontra em desenvolvimento pela equipa da ESAC.
  8. Intervenções de controlo de erva-das-pampas na Cantábria, tendo sido realizado um esforço para erradicar a planta em áreas protegidas costeiras (Rede Natura 2000) e em áreas com plantas dispersas ou isoladas. Com a colaboração da ESAC, estão a ser avaliadas novas técnicas de gestão da espécie, em áreas bastante invadidas, com carácter demonstrativo e com o intuito de selecionar as melhores técnicas para futura aplicação ao resto do Arco Atlântico.