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Agricultura

Startup israelita testa agricultura com água salgada

Startup israelita testa agricultura com água salgada iStock

A startup israelita SaliCrop está a testar, com sucesso, o cultivo de alfafa, cebola, arroz e tomate com recurso a água salgada, de acordo com um artigo publicado no Business Insider, que afirma ser uma descoberta que pode “salvar o mundo da fome”.

Os testes têm sido realizados num laboratório em Israel, no entanto, nos últimos quatro anos, a empresa tem também experimentado o cultivo de tomate em água salgada no Sul de Espanha, isto porque o país vizinho tem sido severamente afetado pela seca e, por isso, os solos encontram-se demasiado salgados para que as culturas cresçam de forma eficiente.

 

De acordo com a líder executiva da empresa, Carmit Oron, os produtores de tomate verificaram um aumento de produtividade na ordem dos 10% a 17%, o que se traduziu num rendimento extra de 1.488 euros por hectares.

Com a população mundial a aumentar, a startup viu uma oportunidade para desenvolver uma solução que permite aos agricultores continuar a produzir alimento: “Como podemos crescer mais em terras que se estão a degradar? Esta foi a questão principal e a motivação para estabelecer a SaliCrop”, afirmou Oron.

 

Segundo o estudo, também na Índia, 44% das terras já são salinas e os investigadores estimam que a salinização afetará 50% do país até 2050.

A SaliCrop avançou também estar a trabalhar para levar a sua solução a mais oito países, estando já a dar resposta a pedidos de empresas de sementes na Europa, Índia e África, “que procuram soluções imediatas para melhorar o rendimento das suas colheitas”, referiu Oron.

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Ṛcā Godbole, bióloga molecular e cofundadora da startup, explica como procederam à transformação das sementes para que seja prósperas em terrenos salinos: “as plantas têm certos genes induzíveis pelo stress ambiental que atuam como alarmes internos e quando há muito sal ou muito calor, esses alarmes disparam e a planta entra em modo de defesa”.

Neste sentido, a cientista descobriu uma forma de aproveitar esses alarmes, expondo as plantas ao stress no início do seu ciclo de crescimento. Neste caso, isso significa regar as plantações com água salgada. Dessa forma, quando plantadas em solo salgado, as culturas já estão com as defesas ativas, o que as torna menos sensíveis à salinidade.

 

“Calibrámos a nossa tecnologia para cada cultura, para cada espécie e até para cada lote de espécies”, afirmou Sharon Devir, co-fundadora da empresa. “Isto permite-lhes atingir com precisão a melhor resposta de resiliência, assim como maximizar o rendimento para cada tipo de cultura”, adiantou.

“Acreditamos que é uma questão de um a dois anos até que tenhamos uma presença global com a nossa solução”, disse Devir.

E continua: “A SaliCrop é um bom exemplo de como podemos trazer ao mundo uma solução barata e confiável, sem nenhum efeito ambiental negativo, apenas para produzir mais alimentos”.