Pecuária

UE anuncia novas zonas de risco elevado de Peste Suína Africana

UE anuncia novas zonas de risco elevado de Peste Suína Africana

Lituânia, Hungria, Polónia e Bulgária vão ter novas zonas demarcadas de risco elevado de Peste Suína Africana. A decisão é da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que revela que o risco de propagação da peste suína africana na fauna selvagem está associado à propagação lenta natural dessa doença entre as populações de suínos selvagens, bem como à atividade humana.

No passado mês de fevereiro, ocorreram novos casos de peste suína africana em suínos selvagens na Hungria e na Polónia. “Estes casos de peste suína africana em suínos selvagens constituem um aumento do nível de risco”, defende a Comissão Europeia.

“A fim de ter em conta a recente evolução epidemiológica da peste suína africana na União, e para combater os riscos associados à propagação da doença de forma pró-ativa, devem ser demarcadas novas zonas de risco elevado com uma dimensão suficiente na Lituânia, na Hungria, na Polónia e na Bulgária”, diz ainda.

CNA preocupada com o descontrolo da população de javalis

Em Portugal, existe o receio de que o descontrolo da população de javalis possa trazer a peste suína africana para o território português. O alerta é dado por João Diniz, dirigente da Confederação Nacional de Agricultores (CNA), que em declarações ao jornal Público explica que o problema atingiu uma proporção tal que “só o Governo é que tem meios técnicos e financeiros para intervir”.

Jacinto Amaro, presidente da Fencaça – Federação Portuguesa de Caça, diz também em declarações à publicação que “estamos perante um super predador que dizima a caça menor e tem-se deslocado do centro do país para sul onde se alterou o modelo agrícola que existia há 20 anos”.

Nuno Sequeira, dirigente da Quercus, acrescenta que esta realidade está a criar um “desequilíbrio ecológico” que tem também a ver com o “desaparecimento dos predadores de topo como o lobo ibérico ou o lince. Quando estes existiam, o número de javalis mantinha-se equilibrado”.

Para João Diniz, da CNA, a solução está nas mãos do Governo: “só o Governo é que tem meios técnicos e financeiros para intervir”. O dirigente diz ainda que “queremos saber que populações de javalis existem, o seu estado sanitário e como controlar a espécie”, já que podem ter consequências na população suína doméstica, nos bovinos e até nas pessoas. “Muitos animais (javalis) estão doentes e há sobretudo o risco do descontrolo populacional que pode trazer para o território português a peste suína africana”, já que os javalis são um “um dos grandes disseminadores da doença”.

Num projeto de resolução apresentado no dia 11 de março, o CDS-PP recomenda ao Governo a elaboração de um “estudo sobre a distribuição territorial da população de javalis em Portugal”.

O partido pede que sejam implementadas medidas “por forma a, com urgência, delinear estratégias para a elaboração de um plano ágil de redução e controlo a longo prazo da população de javalis em território nacional, de acordo com a legislação ambiental nacional e da União Europeia, incluindo os requisitos de proteção da natureza”.