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Como garantir que o seu vinho fica bem na fotografia? O fotógrafo explica

Depois de trabalhar a marca e rótulos do vinho, vai precisar de fotografias. Mas fotografar vinhos não é um pormenor. Exige saber e alguma magia. O fotógrafo Jorge Figanier Castro resume o essencial.

O primeiro sentido que usamos numa prova de vinhos é a visão. Olhamos para a cor e transparência no copo. Só que antes disso já observámos o rótulo. Portanto a prova começou antes. “Se virmos a fotografia do vinho numa revista já começámos a prová-lo aí, já fomos chamados para ele.” É assim que o fotógrafo Jorge Castro explica a importância de fotografia. E revela o que cada produtor deve ter:

1º Fotografia de conceito, a fotografia publicitária do vinho

A fotografia de conceito é a que apresenta o vinho de forma original, para chamar a atenção em stands, no site, na publicidade, em brochuras. É por aí que tudo começa: o produtor deve ter pelo menos uma fotografia de conceito do vinho que melhor o representa.

Conceito

Conceito significa “ideia base”. O vinho pode ter muitas qualidades mas o consumidor fixa só uma ideia – frescura, classe, rigor, arte, originalidade. Por exemplo, a fotografia de Vale de Lobos evoca um bosque, a do Quinta da Alorna branco transmite frescura e faz parte de uma série ligada às épocas do ano “No verão pediram o branco, no inverno o Reserva, no outono o Abafado, depois o Natal”, para outdoors e na fachada da loja.

“Fórmula 1 da fotografia”

Se estamos numa feira de vinhos, onde há muita coisa – ruído, luz, garrafas, pessoas – e de repente há uma imagem que nos faz parar, essa é a imagem que vende. É essa a filosofia da publicidade, lembra Jorge Castro. Na frase de João Palmeiro, fotógrafo com quem trabalhou “A fotografia de publicidade é a Fórmula 1 da fotografia”: trabalha ao detalhe, porque vai estar em grande formato numa paragem de autocarro, onde as pessoas reparam em tudo.

fotografar garrafa de vinho

Packshots, fotografias da garrafa para usar em catálogos

Quando já há vários vinhos é preciso um catálogo. Aí entram os packshots (fotografia de embalagem) de cada garrafa. “Um bom packshot faz imensa falta – já vi fotografias de vinho onde não conseguia ler o rótulo” nota Jorge Castro. O catálogo é como uma prateleira, onde as garrafas estão lado a lado. Devem evitar-se diferenças na iluminação ou perspetiva.

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Iluminação

“Não é agradável ver uma garrafa iluminada de uma maneira, no ano seguinte de outra. Se fotografo uma garrafa, para o ano reproduzo o set para ter coerência” explica o fotógrafo. “Crio para cada produtor uma assinatura de luz própria na garrafa – aquela risca ao longo da garrafa – de maneira que estejam todas iluminadas da mesma maneira. Nos rosés e nos brancos o mesmo: se faço um degradé na transparência da garrafa para dar volume.”

Pós-produção

Não basta disparar a máquina. O trabalho do fotógrafo continua na pós-produção, bem visível nas fotografias do Quinta da Alorna branco, fotografado num aquário e resultado de várias fotos sobrepostas. No packshot este trabalho não salta à vista, mas existe. “No computador limpo impurezas, suavizo linhas, uniformizo a luz. Assim podem utilizar cada fotografia desde a internet até ao outdoor, porque todos os detalhes estão limpos.” Se enviar sempre a mesma imagem para críticos, supermercados, revistas, só tem a ganhar: terá muito mais força do que aparecer diferente de cada vez. É o branding: fica gravado na memória do consumidor

3º Banco de imagens da quinta, adega e região

O banco de imagens de fotografias da quinta pode servir para ilustrar o que entender. Se um jornal faz um artigo, pode utilizá-las, pois ficam com total direito de utilização. Hoje um cliente externo – por exemplo na China – vê a quinta e é como se visitasse o terroir. E cada vez se dá mais importância a isso.

garrafas de vinho - pós-produção [2]

Fotografias de conceito de Jorge Figanier Castro para Quinta da Alorna, Vale de Lobos, Herdade do Portocarro

Artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro/março de 2014 da revista Enovitis/Oleavitis