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Fertilização de culturas aromáticas, medicinais e condimentares

Embora alguns autores refiram que estas espécies não apresentam um consumo elevado de nutrientes, numa produção à escala comercial o aumento da produção e, nalguns casos, da qualidade dependem da manutenção das plantas num estado nutricional adequado, tornando-se necessário estabelecer programas de fertilização equilibrados.

As plantas aromáticas, medicinais e condimentares representam um conjunto de espécies muito heterogéneas e versáteis, cuja utilização pode ir desde a simples decoração de um prato em culinária, ao fabrico do medicamento mais sofisticado, passando pela indústria de perfumaria, cosmética, entre outras. O aumento da procura por estas espécies, no mercado nacional e internacional, conduziu a uma expansão das áreas cultivadas e a uma intensificação do modo de produção onde o uso de fertilizantes se tornou, muitas vezes, indispensável. Assim, embora alguns autores refiram que estas espécies não apresentam um consumo elevado de nutrientes, numa produção à escala comercial o aumento da produção e, nalguns casos, da qualidade dependem da manutenção das plantas num estado nutricional adequado, tornando-se necessário estabelecer programas de fertilização equilibrados (Moré et al., 2010; Rodrigues et al., 2013). O sucesso de um programa ou recomendação de fertilização depende de vários fatores, de entre os quais salientamos a adaptação da espécie às condições edafoclimáticas, a qualidade da interpretação dos resultados analíticos das amostras terra e/ou material vegetal, a presença de pragas ou doenças, a disponibilidade de água, etc.

Em Portugal, a informação disponível sobre as exigências nutricionais e a fertilização destas culturas é bastante limitada, embora existam exceções como a salsa, o coentro, o tomilho ou as hortelãs, entre outras, que integrando o grupo das culturas hortícolas são referidas em LQARS (2006) ou Almeida (2013).

As fertilizações, orgânicas ou minerais, a realizar em cada situação edafoclimática antes da instalação da cultura dependem, sobretudo, da avaliação que é efetuada, através de análises de amostras de terra, da quantidade de nutrientes disponíveis no solo, textura, pH e teor em matéria orgânica, da produção esperada e do fim a que a cultura se destina.

No texto seguinte procuraremos sistematizar alguns dos procedimentos que deverão ser adotados antes de se proceder à fertilização deste tipo de culturas.

Colheita de amostras de terra

Definição do local de amostragem

Profundidade de colheita das amostras

A colheita das amostras de terra para as culturas anuais e vivazes deverá ser realizada numa camada de solo com 0 a 20 cm de profundidade e para as culturas perenes, arbóreas e arbustivas, numa camada de solo com 0 a 50 cm de profundidade.

Fertilização - Figura 1 - Vida Rural [1]

Figura 1 – Exemplo de divisão de um campo em parcelas (A, B e C) homogéneas

Preparação das amostras para enviar ao laboratório

Antes de enviar as amostras para o laboratório é necessário proceder à preparação das mesmas, de acordo com as seguintes orientações:

Parâmetros a solicitar ao laboratório

Os parâmetros a analisar dependem da cultura, do modo de produção e do tempo de permanência no solo. Assim, os parâmetros a analisar serão os indicados no quadro 1.

Nas culturas que permanecem em produção durante vários anos, a colheita de amostras de terra deverá ser repetida de quatro em quatro anos, de modo a poder-se ajustar a fertilização.

Fertilização de instalação e manutenção

A fertilização de instalação tem como objetivo corrigir o pH do solo, o seu teor em matéria orgânica e garantir uma reserva de nutrientes, na zona da raiz, nomeadamente de fósforo, potássio e magnésio, de modo a que as plantas possam dispor dos nutrientes necessários ao seu desenvolvimento.

A fertilização de manutenção, nas culturas que permanecem vários anos em produção, tem como objetivo garantir o normal desenvolvimento das plantas suprindo, sobretudo, a quantidade exportada de nutrientes, após cada colheita. Esta poderá ser constituída pela produção de plantas, raízes, ramos, folhas, sumidades floridas, flores ou sementes.

Na fertilização de manutenção assume particular importância o azoto e a adubação azotada, devendo a aplicação deste nutriente ser efetuada sempre com moderação e de acordo com o recomendado pelo laboratório. Uma aplicação de azoto em excesso poderá contaminar os solos e as águas devido à facilidade com que é lixiviado, induzir o consumo de luxo pelas plantas tornando-as mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças, prejudicar a produção de flores e sementes e estimular a concorrência por outras espécies.

Época mais adequada para a correção do solo e aplicação dos diversos fertilizantes

A época mais adequada para realizar a correção do solo e melhorar a fertilidade do mesmo é antes da instalação da cultura. Nesta fase, as aplicações recomendadas são:

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Nas culturas cujas folhas são destinadas ao consumo em fresco, recomenda-se a suspensão da aplicação de azoto nos quinze dias que antecedem a colheita, de modo a evitar a acumulação de nitratos nas folhas.

Modo de produção biológico

A produção de plantas aromáticas medicinais e condimentares, em modo de produção biológico, deverá ser realizada, preferencialmente, em solos com teores médios ou altos de matéria orgânica. A seleção das matérias fertilizantes a aplicar deverá respeitar o referido no Anexo I do Regulamento (CE) n.º 889/2008 da Comissão, de 5 de setembro, e no Anexo I do Regulamento de Execução (UE) n.º 354/2014 da Comissão, de 8 de abril.

Figura 2 – Plantas aromáticas: a) Alecrim; b) Cidreira; c) Hortelã; d) Manjericão; e) Salsa [3]

Figura 2 – Plantas aromáticas: a) Alecrim; b) Cidreira; c) Hortelã; d) Manjericão; e) Salsa

Colheita de amostras de folhas e de outro material vegetal para análise

A inexistência de normas específicas de colheita de amostras de material vegetal para análise e de teores de referência para interpretação dos resultados obtidos para estas culturas não permite que se efetue um acompanhamento do estado nutricional das plantas colhendo periodicamente uma única amostra de material vegetal. Assim, sempre que necessário, e sobretudo em situações de suspeita de desequilíbrios nutricionais, deverão adotar-se os seguintes princípios gerais:

Aplicação de micronutrientes

Os micronutrientes exercem nas plantas funções ao nível da fotossíntese, multiplicação celular, síntese proteica, translocação de açúcares, entre outras. Em geral, recomenda-se a aplicação de micronutrientes somente após detetada a deficiência na planta através da análise de material vegetal e por comparação dos valores obtidos com normas previamente estabelecidas. No entanto e como já foi referido, a inexistência de teores foliares de referência para interpretação dos resultados da análise foliar nestas culturas constitui uma limitação à utilização deste meio de diagnóstico. Assim, sempre que se justifique, deverão realizar-se análises comparativas de material vegetal e de terra, procedendo-se simultaneamente a uma avaliação da sintomatologia visual.

Conclusão

Apesar das limitações referidas anteriormente e da informação específica sobre a fertilização e nutrição das culturas aromáticas, medicinais e condimentares no nosso país ser muito reduzida existem procedimentos que se encontram estabelecidos para as culturas em geral e que poderão ser aplicados a estas espécies, desde que devidamente adaptados.

Na figura 2 apresentam-se alguns exemplos de plantas aromáticas.

Bibliografia

Almeida, D. 2013. Manual de culturas hortícolas. Vol I. 3.ª Ed. Editorial Presença. Barcarena. 346 p.

Carlen, C. & Carron, C.-A. 2006. Données de base pour la fumure des plantes aromatiques et médicinales. Revue Suisse Vitic. Arboric. Hortic. Vol. 38 (6): 1-8.

Cunha, A.P.; Roque, O.R. & Gaspar, N. 2013. Cultura e utilização das plantas medicinais e aromáticas. 2.ª Ed. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa. 472 p

LQARS. 2006. Manual de Fertilização das Culturas. MADRP/INIAP, Lisboa. 282 p.

Moré, E.; Fanlo, M.; Melero, R.; Cristóbal, R. 2010. Guía para la producción sostenible de plantas aromáticas y medicinales. Centre Tecnològic Forestal de Catalunya. p. 265. ISBN: 978-84-693-0106-7, [citado em 2015-10-29]. Disponível em: <http://apsb.ctfc.cat/docs/GUIA%20PAM-CASTELLAfinal.pdf>

Rodrigues, M. Ângelo, Sousa, M.J. & Arrobas, M. 2013. Plantas Aromáticas e medicinais: alguns constrangimentos ao desenvolvimento do sector. Revista da APH, n. 113: p. 26-29.

Artigo publicado na edição de Novembro de 2015 da revista VIDA RURAL