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Mosca Branca e Vírus do Bronzeamento preocupam produtores

Na última campanha, a Mosca Branca e o Vírus do Bronzeamento do Tomateiro (TSWV-Tomato Spotted Wilt Virus) também tiveram uma forte incidência “principalmente a Mosca Branca, causando prejuízos aos agricultores”, refere Gonçalo Escudeiro, diretor da Torriba.

Embora sejam problemas para os quais já há produtos homologados, as condições climáticas fazem com que em alguns anos os ataques sejam mais significativos e Nelson Correia adianta que “em anos anteriores a Mosca Branca também aparecia, mas nesta campanha aumentou drasticamente e o controlo foi muito difícil, apesar de termos aplicado os produtos homologados”, pelo que o técnico da Torriba salienta: “por isso nos questionamos se será uma nova estirpe? Ou se tem a ver com a falta de alternância de produtos ou com a extinção de alguns auxiliares”. O responsável diz-nos, por isso, que “já reportámos a situação ao Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) e na próxima campanha vamos tentar perceber se a Mosca Branca volta a atacar e se sim, porquê”.

Os ataques aconteceram um pouco por toda a zona de produção do tomate de indústria: desde Vila Franca de Xira, a Benavente, passando por Salvaterra de Magos, Almeirim, e Coruche.

No nosso país, as moscas brancas são uma segunda linha de pragas prejudiciais à cultura do tomate para indústria, sendo duas as espécies referenciadas na cultura do tomate: a Trialeurodes vaporariorum e a Bemisia tabaci. No entanto a segunda é a mais eficiente como vetor de viroses e a que apresenta populações mais numerosas em situações de ar livre. São espécies altamente fitófagas, que além do tomate afetam culturas como o algodão, o feijoeiro, as cucurbitáceas, a beringela, o tabaco, etc..

Mosca Branca (Fotografia retirada do website da Syngenta) [1]

Mosca Branca (Fotografia retirada do website da Syngenta)

Os danos diretos da Mosca Branca na cultura são similares aos dos afídios, que incluem: a produção de melada que posteriormente serve de meio para o desenvolvimento de fungos saprófitos conhecidos por Fumagina; manchas cloróticas das folhas seguido de amarelecimento generalizado da planta que nos casos mais graves resulta em abortamentos florais, atrofiamento dos órgãos vegetais e nanismo do tomateiro.

Zonas de areia sofrem com Vírus do Bronzeamento

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O Vírus do Bronzeamento do Tomateiro (TSWV-Tomato Spotted Wilt Virus) afeta culturas hortícolas e ornamentais tanto em estufa como em ar livre. Numerosas espécies de plantas espontâneas são também hospedeiras deste vírus. “É uma doença já instalada em Portugal, tendo sido detetada em várias culturas hortícolas, nomeadamente tomateiro, pimenteiro, alface, fava e batata”, refere um documento da DRAP-Norte publicado em dezembro de 2007, acrescentando que “este vírus é transmitido por pelo menos sete espécies de tripes, sendo Frankliniella occidentalis (Tripes-da-Califórnia) o vetor mais eficaz”.

Também nesta campanha voltou a haver ataques de Vírus do Bronzeamento, até porque como a Mosca Branca é um inseto picador, é um vetor de várias viroses, explica à VIDA RURAL Nelson Correia, da Torriba, frisando que “os problemas foram sobretudo nas zonas de areia – como Benavente, Salvaterra de Magos e Benfica do Ribatejo –, onde há uma maior intensificação de culturas durante todo o ano”.

Bronzeamento do Tomateiro - Vida Rural [3]

No mesmo documento da DRAP-Norte, os técnicos salientam que “a doença pode manter-se no campo mesmo depois de se retirar a cultura afetada pelo TSWV, principalmente devido à existência de plantas espontâneas e/ou outras culturas na proximidade, que sendo hospedeiras do tripes vetor e do vírus, vão funcionar como fonte de inóculo para posteriores cultivos”.

O técnico da Torriba não quis ainda deixar de referir que, além desta há também outras viroses que se têm manifestado, “bem como um fungo que ataca o tomate mas até em maior escala o pimento, que se instala com a melada dos Afídios e da Mosca Branca e dá uma tonalidade escura à planta e aos frutos, prejudicando fortemente a sua qualidade, logo a sua comercialização”.