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Agricultura

Cientistas dos EUA desenvolvem novos fungicidas com ciência computacional

Investigadores dos EUA desenvolvem novos fungicidas com ciência computacional iStock

Uma equipa de investigadores da University of Idaho (EUA) está a usar modelação molecular por computador para desenvolver novos fungicidas agrícolas, com foco inicial na proteção da cultura da batata e no combate a doenças fúngicas.

De acordo com os investigadores, a abordagem aproxima-se das técnicas usadas na indústria farmacêutica, combinando experiências laboratoriais, simulações computacionais e química aplicada para criar novos produtos.

 

O projeto envolve sete cientistas de diferentes áreas, desde agricultura, ciência e engenharia, e tem como foco inicial a produção de fungicidas para a cultura da batata. Os investigadores já identificaram vários compostos eficazes contra doenças fúngicas graves que afetam esta cultura e esperam que a universidade venha a licenciar estes produtos a empresas do setor químico.

Segundo Brenda Schroeder, uma das responsáveis pelo estudo, menos de 60 compostos foram testados até ao momento e 15 já demonstraram atividade antifúngica. A taxa de sucesso é elevada e, na sua perspectiva, o método poderá ser adaptado a outros grupos de patógenos no futuro, não se limitando apenas aos fungos.

 

Um dos pontos fortes do projeto é a descoberta de compostos pertencentes a novas classes de fungicidas, com modos de ação distintos dos atualmente disponíveis no mercado.

Segundo os cientistas, esta inovação é crítica num contexto em que o uso repetido de produtos do mesmo grupo favorece o aparecimento de resistências. Atualmente existem apenas 17 grupos de fungicidas, o que limita as opções dos produtores quando surgem estirpes resistentes.

 

De acordo com Marty Ytreberg, investigador que integra a equipa responsável pela análise, o estudo está a desenvolver compostos que atuam sobre proteínas fúngicas ainda não exploradas, o que poderá resultar na introdução de dois a três novos grupos de fungicidas no mercado. Entre os compostos já analisados, estima-se que três a cinco venham a ser comercializados.

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Para minimizar riscos para as culturas, para a saúde humana e para o ambiente, os investigadores dão prioridade a proteínas que sejam específicas dos fungos e distintas das existentes em plantas e animais.

 

Paralelamente, a equipa de investigadores está a construir um catálogo de proteínas-alvo, criando uma base sólida para desenvolvimentos futuros. Além disso, cerca de 80 novos compostos já foram identificados como promissores através de modelação computacional e aguardam testes laboratoriais.

Após a validação inicial, os compostos são sujeitos a modificações químicas para melhorar o seu desempenho, seguindo-se novos ensaios em estufa e avaliações de técnicas de aplicação no campo. Um dos maiores desafios do projeto é a escassez de dados genómicos completos para muitas culturas agrícolas, o que dificulta a identificação precisa de proteínas-alvo.

O projeto arrancou há cerca de três anos e recebeu financiamento público, incluindo uma subvenção estadual inicial e, mais recentemente, um apoio do Departamento de Agricultura dos EUA. O financiamento permitirá testar novos compostos contra doenças da batata para as quais existem atualmente poucas opções de controlo.

A equipa acredita que os resultados terão impacto direto na sustentabilidade da produção agrícola e no apoio aos produtores de batata. Segundo os investigadores, as receitas provenientes do licenciamento dos fungicidas poderão ultrapassar os 60 mil dólares anuais por produto para a universidade, reforçando o investimento contínuo em investigação aplicada.