O desenvolvimento de ferramentas tecnológicas no setor “agro” está a permitir um conhecimento cada vez mais profundo das explorações. A democratização de sensores e outros dispositivos de precisão tem vindo a escalar, levando até ao atual desafio do excesso de dados, mas ainda há muito para fazer e consolidar.
A verdade é que a base para a tomada de decisões de gestão deixou de ser o famoso “achómetro”. Sabemos como estão as plantas, o que precisam e que inputs temos de fornecer ao minuto, e isso permitiu trabalhar a eficiência e a intensificação sustentável na grande maioria das empresas agrícolas profissionais.
Veja-se o caso da vinha, em destaque nesta última edição da VIDA RURAL. Um dos maiores desafios do setor é antecipar a produtividade com rigor, um ponto que está a ser trabalhado por um consórcio liderado por investigadores do INESC TEC, utilizando sensores, IA e dados climáticos à escala da parcela, permitindo informação preciosa para gerir a capacidade da adega, o número de trabalhadores a contratar e até a estratégia comercial para a campanha. O projeto (Wine4Cast) aponta para previsões a 18 meses da produção de uva, através de tomografia aos gomos dormentes. E isto faz toda a diferença para quem precisa de tomar decisões a curto e médio prazo. Decidir mais cedo e melhor com base em dados deixará assim de ser uma impossibilidade. Acresce ainda que esta tecnologia tem potencial para ser replicada para outras culturas, o que pode revolucionar a forma como olhamos para a fruticultura, por exemplo.
“Esta possibilidade de perspetivar o futuro é decisiva num país pequeno, ainda com pouca capacidade de criar organizações de produtores fortes e com dimensão e onde a escala é sempre um eterno desafio.”
Esta possibilidade de perspetivar o futuro é decisiva num país pequeno, ainda com pouca capacidade de criar organizações de produtores fortes e com dimensão e onde a escala é sempre um eterno desafio. É preciso estar desperto para estas inovações, quase revolucionárias diria, que vão sendo estudadas e estarão disponíveis muito em breve. Deixar cair este potencial por achar que pode ser demasiado sofisticado ou inacessível é, infelizmente, uma tentação. Cabe ao setor “agro” saber agarrar as tecnologias que podem ser as ferramentas do futuro e usar todos os recursos e apoios à disposição para as tornar uma realidade nas explorações agrícolas. E isso vai muito para além da capacidade de investimento.
#agricultarcomorgulho

©Rodrigo Cabrita
