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Especial Financiamento

Bancos apostam na agricultura

agroquímicos

Depois de décadas com as portas quase fechadas para os agricultores, nos últimos anos a banca ‘acordou’ para um dos poucos setores que estava a crescer e impulsionar as exportações. Hoje, todas as instituições têm soluções de crédito à medida para ajudar as empresas agrícolas a crescer, criar novos produtos e expandir-se para fora do País.

As sociedades agrícolas têm atualmente acesso a todas as linhas de crédito gerais que os bancos disponibilizam para as empresas, como as soluções de gestão corrente, investimento, exportação e internacionalização. Mas as explorações já estabelecidas e os novos projetos podem também recorrer às ofertas resultantes dos protocolos com o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) – linhas específicas de crédito para o setor primário –, às soluções de antecipação de incentivos dos programas europeus (PDR 2020, Portugal 2020), e também às linhas ao abrigo de protocolos com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), contratadas pela maioria das instituições bancárias.

Além destas, muitos bancos criaram já também outras ofertas específicas para o setor agrícola e agroalimentar, como é o caso da Caixa Geral de Depósitos, do Banco Popular, do Santander Totta e do BPI, para além, claro, do Crédito Agrícola.

Soluções à medida do agricultor

O responsável pelo Centro de Agronegócio da Caixa Geral de Depósitos (CGD) explica à VIDA RURAL que “tentamos conjugar soluções à medida que ajudem a viabilizar os projetos que os empresários agrícolas nos apresentam, envolvendo, se necessário as sociedades de garantia mútua, nomeadamente a Agrogarante, bem como soluções adequadas de seguros”. E Filipe Ravara adianta: “a principal diferenciação com as propostas de outras instituições é feita pelos prazos e carências. Temos estado a ganhar muitas operações desta forma, porque explicamos internamente que estes são projetos que necessitam de muito maior financiamento na fase de instalação, sendo depois compensado mais à frente”.

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Já Sónia Ribeiro, do departamento de crédito ao setor Agroalimentar do Banco Popular, salienta que “abordamos o setor agrícola no conjunto do agroalimentar, porque todos os agricultores têm de vender os seus produtos, seja à indústria seja à distribuição e, para nós é importante perceber quem é o interlocutor e percecionar toda a cadeia”.

A responsável acrescenta que “por vezes, conhecendo também as necessidades da indústria agroalimentar, podemos fazer a ponte entre as necessidades de uns e as potencialidades de outros. Por exemplo, já aconteceu uma indústria precisar de mais produção e sermos nós a propor a alguns dos nossos clientes agricultores aumentarem a sua produção para servir a procura de determinada indústria, também nossa cliente”.

Das soluções do Popular mais específicas para a agricultura, Sónia Ribeiro destaca a Conta Corrente de Campanha que “o agricultor vai utilizar quando entender e de acordo com as suas necessidades ao longo da campanha e que só vai amortizar no final da campanha, depois de vender a sua produção, podendo ter várias contas de campanha para cada cultura, conseguindo assim gerir e aferir os custos e a rentabilidade específica de cada uma delas”.

E refere ainda “o financiamento para a aquisição de terrenos agrícolas, embora hoje se recorra, cada vez mais, ao arrendamento, esta é uma linha específica”.