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Biotecnologia

Novo projeto europeu quer substituir pesticidas químicos por soluções biológicas

Novo projeto europeu quer substituir pesticidas químicos por soluções biológicas iStock

Um novo consórcio europeu anunciou o lançamento do CropSafe, um projeto de investigação e inovação financiado pelo programa Horizon Europe através da parceria Circular Bio-based Europe Joint Undertaking (CBE JU), que pretende desenvolver um conjunto integrado de alternativas biológicas seguras e sustentáveis para substituir pesticidas químicos nocivos.

A iniciativa aposta na transformação de resíduos biológicos em bioactivos de elevada eficácia, criando uma nova geração de produtos fitofarmacêuticos desenvolvidos segundo o princípio Safe-and-Sustainable-by-Design (SSbD). A abordagem combina biotecnologia avançada com os princípios da bioeconomia circular, procurando substituir pesticidas sintéticos por soluções inspiradas na natureza e não prejudiciais.

 

Entre as principais inovações destacam-se:

  • Valorização de resíduos bio-baseados: utilização de biomassa aquática, resíduos florestais, borras de café e resíduos fúngicos para produzir compostos bioactivos, incluindo fenóis de origem vegetal e moléculas capazes de imitar ou interferir com comunicações naturais entre organismos.
    Formulações e sistemas de aplicação avançados: desenvolvimento de agentes de formulação não nocivos, como encapsulação com biopolímeros e adsorção em biochar, garantindo libertação controlada e reduzido impacto ambiental.
    Compreensão de mecanismos naturais: estudos aprofundados para perceber como os compostos interagem com plantas e ecossistemas, reforçando a resistência natural das culturas.
    Ferramentas digitais de apoio à decisão: modelos baseados em dados e ferramentas de IA que orientam a aplicação precisa dos novos produtos, adaptando-os a diferentes climas e solos.
    Validação pan-europeia: ensaios de campo alargados em zonas agrícolas da Escócia, Itália, Espanha e região mediterrânica.

Segundo o coordenador do projeto, Luis Vicente López Llorca, da Universidade de Alicante, esta iniciativa representa “um passo vital para um futuro agrícola resiliente e sustentável na Europa”.

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E continua: “ao transformar resíduos biológicos num recurso valioso para a proteção das culturas, não estamos apenas a responder a uma necessidade urgente dos agricultores, mas também a reforçar a bioeconomia circular. A nossa abordagem colaborativa une especialistas em biorefinaria, ciência agrícola e tecnologia digital para criar um modelo que protege o nosso abastecimento alimentar, melhora a biodiversidade e apoia a transição verde da UE”.

Ao longo de 48 meses, o CropSafe avançará da investigação laboratorial para demonstrações em campo à escala real, comprovando eficácia e capacidade de expansão das soluções. O consórcio promoverá ainda workshops, publicações e atividades de divulgação para envolver agricultores, indústria, decisores políticos e público.

 

O projeto surge numa fase crítica para a agricultura europeia, marcada pela retirada progressiva de pesticidas devido a riscos ambientais e de saúde. Culturas-chave como a batata, o tomate ou a banana enfrentam pragas devastadoras, ameaçando os rendimentos agrícolas e a segurança alimentar.