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Aplaudir

Quando a ‘crise’ dos cereais começou, a palavra abandono era a mais ouvida nos meandros agrícolas. E quando o RPU entrou em vigor vaticinava-se que uma grande fatia de agricultores ficaria parada a viver dos rendimentos e do regozijo do dolce far niente.

Quando a ‘crise’ dos cereais começou, a palavra abandono era a mais ouvida nos meandros agrícolas. E quando o RPU entrou em vigor vaticinava-se que uma grande fatia de agricultores ficaria parada a viver dos rendimentos e do regozijo do dolce far niente.

Não contesto que muitos agricultores tenham efectivamente abandonado a actividade. Seguramente os mais velhos, com menor dimensão, sem capacidade para competir. Duvido que algum empresário agrícola tenha pensado sequer em cruzar os braços.

 

Visitar o Ribatejo por estes dias é a prova disso mesmo.

Ficaram os bons produtores de milho, aqueles que conseguem elevadas produtividades aliadas a uma exímia racionalização de custos.

 

Ficaram os bons produtores de tomate para indústria e a estes juntaram-se novos, aproveitando o bom momento da cultura a nível mundial.

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Ficaram todos os outros, que reconverteram as suas explorações para culturas horto-industriais e passaram a fazer batata, cebola, ervilha, cenoura, pimento, courgette, tomate para consumo, só para exemplificar, e já estão a experimentar beterraba e milho doce.

 

A reconversão foi um sucesso. Os agricultores podiam ter ficado a viver pacatamente do RPU mas souberam adaptar-se e andar para a frente. Com novos desafios e culturas que nunca tinham experimentado. E com resultados muito positivos, domínio cultural e qualidade reconhecida. Continuam a investir, mantendo na mira a redução de custos e o respeito pelas regras agro-ambientais. Mesmo quando o mercado é desanimador, a preocupação é cumprir contratos e manter o nível de qualidade acordado.

Os tempos não são risonhos, com os mercados em depressão, os preços a cair e os factores de produção a estrangular a actividade. E condições de competitividade desiguais, regras díspares entre países da comunidade (nem comparo fora dela) e legislação desadequada.

 

Perante todo este cenário, com tanta contrariedade (até um ano de chuvas persistentes) ver agricultores a apostar em novas culturas, a procurar alternativas rentáveis, a tentar encontrar mercados e a ‘sonhar’ com tudo isto é obra.

Apetece dizer como aquele personagem do Jô Soares: “Eu quero aplaudir…”