A saga da aprovação do orçamento e das alterações à taxa do IVA revela uma vez mais o desnorte em que está mergulhada a política nacional.
O princípio é simples: faz-se asneira e ninguém se responsabiliza por isso. E no final todos pagamos a conta.
O sector agrícola e agro-industrial nacional compete na Europa, e no mundo, em conjunturas desiguais. Tem impostos e factores de produção mais caros do que os seus parceiros e agravam-se, de ano para ano, as condições concorrenciais. Acresce a isto uma política que, quando não é completamente ausente na estratégia, aposta na penalização. IVA a 23% numa parte substancial dos produtos alimentares? Corte de 80 milhões nos programas de investimento? Brincamos? Sim, com muita alegria. Porque os governantes, e alguma opinião pública, não perceberam ainda o grave que é condicionar ainda mais um tecido produtivo que luta com muitas dificuldades para se manter de pé mas que é absolutamente imprescindível.
E enquanto quem governa, e quem pensa vir a governar, continuar levianamente nesta brincadeira, em nome dos seus interesses político partidários, vamos continuar a sofrer as consequências de tanta incompetência.
Não quero com isto dizer que o sector agrícola não tenha de ser solidário e de apertar o cinto como todos os restantes. Mas não parte da mesma base nem pode ser comparado, muito menos ser o mais penalizado, só porque é preciso ir buscar o dinheiro a qualquer lado (e a alimentação é sempre o mais fácil).
O que vejo é uma absoluta falta de respeito por quem trabalha, por quem investe, por quem se esforça para concorrer em condições adversas e alavancar as exportações nacionais. Se as medidas restritivas, cuja aplicação todos compreendemos dada a situação em o país está, fossem acompanhadas de medidas de redução de custos supérfluos por parte do Estado e de outras tantas de responsabilização por quem nos deixou neste Estado, seria mau mas justificável. Assim sendo, é só mau.

