A crescente exposição das Filipinas a fenómenos climáticos extremos está a impulsionar a adoção de práticas agrícolas mais resilientes, baseadas na diversificação de culturas, agroecologia e soluções adaptadas às condições locais.
De acordo com uma reportagem do El País, na ilha de Negros, no centro do país, episódios recentes de seca severa e tempestades tropicais evidenciaram a vulnerabilidade do setor agrícola. Há dois anos, uma seca associada ao fenómeno El Niño destruiu colheitas e obrigou centenas de agricultores a recorrer a ajuda alimentar.
Mais recentemente, em novembro de 2025, o tufão Kalmaegi provocou pelo menos 100 mortes e danos generalizados em habitações e explorações agrícolas, segundo explica o jornal espanhol.
Apesar deste contexto, algumas explorações conseguiram mitigar perdas através de práticas de diversificação e gestão ecológica. É o caso de um produtor de café que reduziu significativamente os danos ao integrar diferentes espécies na sua plantação, enfatiza o El País.
A estratégia passa pela criação de barreiras naturais com bambu para reduzir o impacto do vento e pela introdução de árvores de manga para proporcionar sombra e proteção em períodos de seca.
Estas abordagens refletem uma tendência mais ampla no país, onde mais de 10 milhões de agricultores enfrentam elevados riscos climáticos. Segundo o Informe Mundial de Riesgos, as Filipinas são o país mais exposto a desastres naturais, ocupando também o sétimo lugar no Índice de Risco Climático da German Watch, refere o El País.
A resposta institucional tem sido considerada insuficiente por alguns responsáveis do governo filipino. Paralelamente, especialistas defendem a agroecologia como resposta estrutural. O investigador Chito Medina, citado no jornal espanhol, sublinha a importância de diversificar culturas e reduzir a dependência de fatores de produção químicos.
Entre as recomendações do responsável estão o reforço de culturas alimentares de base, como mandioca, batata-doce e banana, e a escolha de variedades mais resistentes, nomeadamente no arroz, onde existem cerca de 2.000 variedades no país.
Além das práticas agronómicas, o trabalho cooperativo surge como fator crítico, enaltece Chito Medina, destacando o conceito local de “bayaniham”, baseado na ajuda mútua entre agricultores, como forma de aumentar a capacidade de resposta a crises.
De acordo com o El País, num contexto de elevada vulnerabilidade climática e fragilidade económica, a combinação entre conhecimento local, diversificação produtiva e iniciativas de cooperação internacional está a moldar a adaptação do setor agrícola filipino.

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