Na Europa a tradição é que o financiamento seja feito junto dos bancos, mas nos Estados Unidos há muito que as empresas recorrem habitualmente a investidores privados – business angels – e ao capital de risco. No entanto, nos últimos anos esta tendência tem vindo a aumentar do lado de cá do Atlântico e Portugal não foge à regra. A grande maioria deste financiamento destina-se a startups de base tecnológica, mas o facto de a agricultura estar cada vez mais sob os holofotes, tem chamado também alguns destes investidores informais ao setor.
Um business angel (BA) é um investidor individual que investe uma pequena parte da sua fortuna ou poupança em projetos com potencial de crescimento. Para além do capital que aportam, envolvem-se nos projetos em que investem disponibilizando o seu conhecimento, experiência e rede de contatos. O objetivo último é o de valorizarem as empresas em que investem para alienarem a sua participação a outros investidores particulares ou fundos de investimento com uma mais-valia considerável.
O capital de risco não é muito diferente mas, normalmente faz-se através de sociedades de capital de risco ou de fundos de capital de risco, pelo que podem apoiar projetos de maior dimensão, ou seja, com necessidades maiores de financiamento.
Habitualmente, o que distingue estes dois tipos de investidores é a proximidade. Os BA são sempre sócios ativos da empresa, oferecendo não apenas o dinheiro, mas também a rede de contactos, o conhecimento e experiência de gestão e o seu tempo. Já nas sociedades de capital de risco, em regra, o acompanhamento é mais técnico e distanciado. E, por norma, não querem maioria de participação na empresa.
A par dos fundos europeus
O financiamento por business angels constitui uma oportunidade principalmente para projetos empresariais inovadores ou com bom potencial de crescimento e, como tem também associada uma parceria na gestão, representa uma vantagem importante para empreendedores com pouca experiência empresarial.
Além disso, pode também completar ou colmatar a parte de capital próprio necessária à candidatura a fundos europeus de que os empresários não disponham, sendo assim fundamental ao avançar do projeto. Aliás como aconteceu com Rita Trindade, empresária agrícola da Earth Essences.
A jovem agricultora conseguiu que um BA se interessasse pelo projeto que delineou em parceria com André Moreira, para a extração de óleos essenciais, e esse investidor trouxe outros. “O eng. Artur Queiroz Machado foi quem nos apoiou deste o início”, conta Rita Trindade, trazendo com ele mais business angels, nomeadamente Sebastião Pestana de Vasconcelos. A empresária agrícola conta à VIDA RURAL que “apresentamos o projeto na associação Invicta mas eles não o quiseram apoiar, só que o eng. Queiroz Machado gostou do projeto e avançou com contactos para trazer mais investidores”.
“Temos cinco sócios-capital, que são nossos verdadeiros mentores, participam nas decisões e ajudam-nos muito com a sua experiência, puxam por nós. Sem eles teria sido impossível avançar com o projeto”, salienta Rita Trindade.
Ao nível do capital de risco específico para a área agrícola, foi criada em 2005 a Agrocapital, sociedade participada pela Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), que gere o Fundo de Capital de Risco AGROCAPITAL 1 (FCR – Agrocapital 1) dotado de 15 milhões de euros. Os investimentos da sociedade são dirigidos, em especial, a empresas da fileira agroflorestal que demonstrem potencial elevado de crescimento e valorização.

