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Federações de Produtores Florestais expressam apoio às áreas afetadas pela tempestade Kristin

Federações de Produtores Florestais expressam apoio às áreas afetadas pela tempestade Kristin iStock

As federações de produtores florestais signatárias manifestaram total solidariedade com os proprietários florestais, as comunidades locais e os agentes do território afetados pela passagem da depressão Kristin.

De acordo com o comunicado de imprensa, os danos registados causaram um “impacto profundo” num setor essencial para a economia nacional, a coesão territorial e o equilíbrio ambiental do país, com os prejuízos ainda a serem apurados à medida que avançam as operações de limpeza e avaliação no terreno.

 

As federações sublinharam ainda que é igualmente necessário reconhecer o trabalho incansável das equipas de Sapadores Florestais das Organizações de Produtores Florestais, que têm desempenhado um papel crucial na desobstrução de vias, na mitigação dos danos mais urgentes e na proteção da segurança de pessoas e bens.

As federações expressaram, de forma geral, a sua concordância com as medidas de emergência já anunciadas pelo Governo, embora reconheçam que estas possam ser “insuficientes”, destacando a importância de uma resposta rápida e coordenada para minimizar os impactos imediatos nas infraestruturas, nas atividades económicas e na subsistência das populações afetadas.

 

No entanto, as federações sublinharam ainda ser importante destacar que o setor florestal possui especificidades técnicas, produtivas e territoriais que exigem um reforço e ajuste nas respostas públicas, a fim de garantir não só a mitigação dos danos imediatos, mas também a compensação das perdas económicas dos proprietários florestais, os investimentos em curso e a recuperação efetiva do potencial produtivo e ambiental das áreas afetadas.

As federações consideraram essencial adotar medidas concretas para garantir a viabilidade dos projetos já aprovados e em execução, incluindo:

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  • Prorrogação dos prazos de execução dos projetos financiados pelo PRR, PEPAC e outros instrumentos de apoio, devido à destruição de acessos, instabilidade nas áreas afetadas e à necessidade de mobilizar recursos para ações urgentes de limpeza e segurança, o que impossibilita o cumprimento dos prazos definidos inicialmente.
  • Adaptação das condições de execução dos projetos PRR já aprovados, especialmente os de beneficiação de pinhal para resinagem, cuja intervenção se torna difícil devido à destruição causada pela depressão Kristin. Em muitos casos, a intervenção prevista é inviável sem que isso seja responsabilidade dos beneficiários. Dado que esses projetos estão, em média, com cerca de 35% da execução realizada, é crucial ajustar os requisitos técnicos e de elegibilidade de forma excecional, evitando penalizações por circunstâncias alheias aos promotores.
  • Manutenção das dotações financeiras para os instrumentos de apoio ao investimento florestal, assegurando a continuidade das intervenções planeadas e prevenindo rupturas que possam comprometer a criação de valor económico e a gestão ativa da floresta.
 

Segundo a nota de imprensa, a entrada “súbita e massiva” de madeira derrubada no mercado representa um risco económico e sanitário grave, exigindo uma ação pública coordenada:

  • Garantia de um preço justo ao produtor, com mecanismos que evitem práticas especulativas e assegurem que a urgência da remoção da madeira não leve à desvalorização injustificada da matéria-prima.
    Criação de soluções logísticas de emergência, como parques de receção e armazenamento temporário de madeira verde, para permitir um escoamento gradual e adequado.
    Reforço das ações de sanidade florestal, com a retirada rápida da madeira danificada para prevenir pragas e doenças, além de reduzir a carga combustível e minimizar o risco de incêndios florestais no próximo verão.

Medidas de recuperação a médio prazo: Reposição do potencial produtivo
Além das respostas imediatas, as federações defenderam ainda a implementação de medidas específicas para a recuperação estrutural das áreas afetadas, nomeadamente:

  • Abertura, a curto prazo, de medidas específicas no âmbito do PEPAC, direcionadas exclusivamente às zonas afetadas pela depressão Kristin, com o objetivo de recuperar o seu potencial produtivo.
    Essas medidas deverão incluir, entre outros aspetos:
    • Apoios à remoção de madeira sem valor comercial;
    • Incentivos à instalação de novas plantações florestais, adequadas às condições ecológicas locais e voltadas para uma gestão sustentável e resiliente.
 

“É tempo de olhar para a floresta como um ativo estratégico nacional que exige planeamento geracional. A recuperação dos impactos da depressão Kristin deve ser o ponto de partida para uma política florestal que integre, de forma definitiva, a adaptação às alterações climáticas,” sublinharam os dirigentes das federações signatárias.