Milho

Produtores de milho temem importação de milho “a direito zero”

A Anpromis manifestou esta semana ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, a sua preocupação em relação a uma proposta da Comissão Europeia que irá permitir “a importação de milho a direito zero, no período de comercialização do milho português”.

Numa nota enviada às redações, a associação que representa os produtores de milho nacionais refere ainda que “vê com muita apreensão a proposta de reprogramação do PDR2020 que prevê a eliminação da majoração aos agricultores associados de Organizações de Produtores nos investimentos nas explorações agrícolas.”

“Num momento tão conturbado para a produção nacional de milho, julgamos extremamente grave que seja autorizada a entrada de milho a direito zero, durante o período em que decorre a comercialização da produção nacional (agosto a novembro)”, defende José Luís Lopes, presidente da Anpromis.

“Esta decisão, constitui para nós produtores de milho e para as nossas Organizações, um sinal muito negativo e contraditório com o assinalável esforço efetuado nos últimos anos, de aumento da concentração da oferta de cereais, valorizando desta forma a produção nacional. Esta medida, a avançar, vai lamentavelmente conduzir a uma maior pulverização da oferta, já de si muito dispersa”, acrescenta José Luís Lopes.

As declarações foram proferidas durante a assinatura do protocolo de constituição do InovMilho – Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo, na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, uma estrutura que tem como objetivo apostar na investigação e na transferência de conhecimento sobre estas culturas.

Como resposta, o ministro da Agricultura já prometeu que abordará este assunto esta sexta-feira (30 de setembro) durante a visita do Comissário Europeu da Agricultura, Phil Hogan, a Portugal.

Em comunicado, a associação acrescenta também que gostava que o Governo ajudasse o setor “a eliminar alguns custos inerentes à agricultura de regadio, nomeadamente, no preço da água e da energia” e fala da necessidade de a “Política Agrícola Comum pós 2020 ser reorientada, de forma a garantir que todos os agricultores que exercem a sua atividade no espaço europeu mantenham a sua atividade de uma forma digna e rentável”.