As temperaturas elevadas e as ondas de calor estão a agravar as perdas nas culturas agrícolas em Espanha, com os cereais a surgirem como a produção mais afetada.
O alerta é da organização agrária espanhola Unión de Uniones, que aponta para perdas superiores a 30% nas principais regiões produtoras, podendo chegar a 45% em algumas zonas.
Segundo a organização, os cereais estão a ser particularmente afetados devido à fase do ciclo em que se encontram e à ocorrência de temperaturas mais elevadas e mais precoces do que em anos anteriores.
Castela e Leão, a principal região produtora, regista perdas estimadas entre 40% e 45%, de acordo com a organização regional UCCL. Em Castela-La Mancha e na Andaluzia, as perdas são avaliadas em cerca de 30%. Na Estremadura, o calor antecipou a colheita do trigo e provocou perdas estimadas em cerca de 15%.
“Enfrentamos temperaturas muito mais elevadas para a época em que estamos. O cereal é uma cultura presente em muitas regiões do país e é talvez a mais representativa neste momento, mas será necessário perceber que impacto isto terá noutras culturas que deveriam amadurecer mais tarde”, refere a Unión de Uniones.
A organização alerta também para impactos noutras culturas. Na Catalunha, as vinhas foram afetadas pelas temperaturas elevadas. Na Estremadura e na Andaluzia, a preocupação centra-se no tomate e em culturas mais localizadas, como o algodão e o girassol, que estão a amadurecer mais cedo.
As leguminosas também estão a ser afetadas, com quebras de produção que podem chegar a 50% em determinadas zonas de Castela e Leão ou Castela-La Mancha.
Na Comunidade Valenciana, há preocupação com as temperaturas elevadas registadas no mar Mediterrâneo, que podem favorecer episódios de forte instabilidade atmosférica e aumentar o risco de fenómenos como uma DANA, caso se verifiquem as condições meteorológicas adequadas.
Esta situação gera inquietação no setor agrícola pelo possível impacto de chuvas torrenciais, granizo ou danos em culturas sensíveis, em especial citrinos e outras culturas mediterrânicas.
A Unión de Uniones defende a importância de prevenir situações de calor extremo e insiste na necessidade de o seguro agrário contemplar ferramentas adicionais para responder a danos excecionais provocados por fenómenos climáticos adversos.
“As alterações climáticas são uma evidência tangível, mas precisamos de poder continuar a produzir. Claro que nos vamos adaptando, como sempre fizemos, mas não conseguimos fazê-lo em situações extremas e, em muitos casos, inesperadas”, refere a organização.
A Unión de Uniones acusa ainda o Ministério da Agricultura espanhol de incumprir o compromisso de analisar e desenvolver possíveis instrumentos para que a sinistralidade extraordinária, provocada sobretudo pelas alterações climáticas, possa ser coberta por fundos complementares aos já previstos no sistema de seguros agrários.

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