O número de animais de produção — mamíferos e aves — cresceu 53% a nível mundial nas últimas duas décadas, enquanto a área agrícola usada para produzir alimentos para animais aumentou 27%, segundo um novo relatório da coligação Stop Financing Factory Farming.
O relatório analisa a evolução do impacto ambiental do setor pecuário desde a publicação, em 2006, do relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) Livestock’s Long Shadow.
De acordo com a coligação, os governos não conseguiram travar os impactos ambientais associados à pecuária e vários indicadores agravaram-se desde então.
A pressão sobre os recursos naturais ocorre num contexto em que a terra agrícola enfrenta perda de fertilidade. Segundo o relatório, cerca de mil milhões de hectares de terras agrícolas estão degradados a nível global. A pressão sobre os recursos hídricos é também assinalada: cerca de 90% da água retirada de sistemas naturais para irrigação é usada para produzir alimentos destinados a animais.
O relatório refere ainda que a produção de alimentos de origem animal ocupa 80% das terras agrícolas globais, apesar de representar 18% das calorias e 37% das proteínas produzidas no mundo. Para a coligação, este desfasamento evidencia a pressão exercida pela produção pecuária sobre o uso do solo.
As emissões associadas à pecuária também aumentaram. Segundo dados da FAO citados no relatório, as emissões do setor cresceram 22% entre 2001 e 2023. O documento refere ainda que uma investigação de Harvard, realizada em 2024 com 200 cientistas do clima, concluiu que as emissões da pecuária teriam de cair 50% até 2030 para que o Banco Mundial atingisse a meta de emissões líquidas zero no setor alimentar até 2050.
O relatório associa ainda a pecuária à pressão sobre florestas tropicais e biodiversidade. A coligação refere que cerca de quatro milhões de hectares de floresta são perdidos globalmente por ano e que a agricultura responde por 70% a 80% da desflorestação tropical, incluindo o desmatamento para criação de animais.
O documento recorda que o relatório da FAO de 2006 identificava a pecuária como “o principal motor da desflorestação” e como uma atividade que “pode muito bem ser a principal responsável pela redução da biodiversidade”.
A investigação refere também que o aumento das quantidades de fertilizantes usadas na produção de alimentos para animais, em conjunto com a descarga de chorumes, está a contribuir para a formação de zonas mortas nos mares. A maior é identificada no Golfo do México, onde a vida marinha está a ser eliminada numa área equivalente à dimensão do estado norte-americano do Connecticut.
O relatório assinala ainda que o uso de pesticidas duplicou desde 1990 e que a criação de animais é responsável por cerca de um terço das emissões de nitrogénio.
A coligação Stop Financing Factory Farming defende que os decisores políticos devem reduzir a produção e o consumo de alimentos de origem animal, redirecionar subsídios agrícolas considerados prejudiciais, produzir alimentos dentro dos limites planetários e assegurar que o preço dos alimentos reflita os seus custos ambientais e sociais. O relatório propõe ainda tributar alimentos produzidos industrialmente e usar a receita para subsidiar alimentos nutritivos e sustentáveis.

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