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Investigadores do Porto triplicam teor de zinco em grãos de sorgo através de sensor molecular

Investigadores do Porto triplicam teor de zinco em grãos de sorgo através de sensor molecular iStock

Investigadores do CIBIO-BIOPOLIS, da Universidade do Porto, desenvolveram uma abordagem que permite obter variedades de sorgo com o triplo dos níveis de zinco, sem prejudicar o desenvolvimento das plantas. Os resultados foram publicados na revista científica New Phytologist.

O estudo internacional foi liderado por investigadores do CIBIO-BIOPOLIS, em colaboração com o Carlsberg Research Laboratory. A investigação mostra que a modulação de um sensor molecular das plantas pode funcionar como um “interruptor sempre ligado”, promovendo maior absorção e acumulação de zinco nos grãos.

 

A abordagem foi aplicada ao sorgo (Sorghum bicolor), uma das culturas cerealíferas mais importantes do mundo e com elevada tolerância à seca. O trabalho analisou o gene SbFbZIP1, responsável por permitir à planta avaliar os seus níveis de zinco e regular a absorção deste micronutriente.

Para identificar a variante genética pretendida, os investigadores usaram uma coleção de variantes genéticas de sorgo, combinada com a tecnologia FIND-IT, sigla de Fast Identification of Nucleotide variants by droplet Digital PCR. A equipa identificou uma mutação específica num único par de bases do “Sensor Motif” de zinco no gene SbFbZIP1.

 

Esta alteração faz com que o sensor funcione como um interruptor permanentemente ativado, sinalizando à planta uma deficiência de zinco. Como resposta, a planta aumenta a absorção e acumulação deste nutriente a partir do solo.

Segundo o estudo, as plantas com esta variante acumulam três vezes mais zinco nos grãos do que as variedades comuns de sorgo. Os grãos atingiram níveis de zinco entre 50 e 60 mg/kg de peso seco, acima do teor normal de 20 mg/kg e da meta global de biofortificação definida em 32 mg/kg.

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A investigação concluiu também que a variedade identificada apresenta um desenvolvimento comparável ao das variedades comuns de sorgo, não tendo sido referido prejuízo no crescimento das plantas.

“Este resultado exemplifica como a investigação fundamental em biologia de plantas, neste caso sobre a regulação molecular da nutrição vegetal, contribui para resolver problemas globais de nutrição humana de forma sustentável”, afirmou Ana Assunção, investigadora no CIBIO-BIOPOLIS e líder do estudo.

 

De acordo com os investigadores, os resultados podem reforçar a segurança alimentar e apoiar o planeamento estratégico agrícola face ao aquecimento global. A equipa considera ainda que a abordagem pode contribuir para uma utilização mais eficiente dos nutrientes do solo, reduzindo a necessidade de fertilizantes, e incentivar a preservação dos recursos genéticos vegetais.

O sorgo é a primeira cultura em que a biofortificação em zinco através da modulação deste sensor está demonstrada. Os investigadores estão também a trabalhar na aplicação de soluções idênticas a outras culturas agrícolas de grande consumo global, com o objetivo de contribuir para uma agricultura mais sustentável e nutritiva.