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Agricultura

Investigadores criam modelo genético que prevê características do sorgo

Investigadores desenvolvem modelo genético que prevê características do sorgo iStock

Uma equipa de investigadores da Universidade Estatal de Iowa, nos Estados Unidos da América (EUA), desenvolveu um modelo genético que permite prever com elevada precisão a altura e o tempo de floração do sorgo, com base em dados genómicos e meteorológicos recolhidos no início da época de cultivo.

Nos testes realizados, o modelo alcançou até 96% de precisão na previsão da altura das plantas e 74% na previsão do tempo de floração, mesmo em campos que não foram usados para treinar o sistema.

 

“Obter informações sobre o que é provável que aconteça com antecedência tem um valor imenso”, afirmou Jianming Yu, professor de agronomia na Universidade Estatal de Iowa e coordenador do estudo.

A investigação baseou-se em dados de 14 épocas de cultivo, utilizando o Painel de Associação do Sorgo – uma coleção de 400 variedades geneticamente sequenciadas para representar a diversidade global da planta.

 

Os investigadores analisaram os fatores ambientais que mais influenciam o desenvolvimento do sorgo: o acumulado térmico no segundo mês de crescimento foi crucial para a floração, enquanto a variação térmica diária entre os dias 25 e 31 foi determinante para a altura.

Além disso, foram identificados sete grupos genéticos ligados ao tempo de floração e 69 à altura das plantas, com base em 265 mil marcadores genéticos.

 

Os cientistas utilizaram métodos avançados de associação genómica e predição genómica, integrando também um índice ambiental que permite ajustar os modelos às diferentes respostas das plantas a diversos contextos de cultivo – um fenómeno conhecido como plasticidade fenotípica.

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Os investigadores avançam que, para além de acelerar a melhoria de novas variedades, o estudo pode ajudar a tornar as culturas mais resilientes às alterações climáticas e apoiar decisões dos agricultores em tempo real, com previsões sazonais fiáveis.

 

Foi também por isso que o estudo mereceu destaque na capa de uma edição especial da revista Plant, Cell and Environment, dedicada à segurança alimentar e nutricional.

A equipa de cientistas planeia, no futuro, reforçar ainda mais os modelos de previsão com dados adicionais recolhidos diretamente no campo, nomeadamente através de drones.