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Estudo revelou que progressos genéticos nas colheitas podem ter sido sobrestimados

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Um novo estudo sugeriu que as melhorias relatadas ao longo de décadas na produtividade das colheitas, decorrentes da seleção genética das plantas, podem estar significativamente sobrestimadas, desafiando assim um método comum usado mundialmente para medir os progressos genéticos.

A investigação internacional, que contou com a colaboração de cinco cientistas da Universidade de Nebraska–Lincoln, analisou as tendências de longo prazo na melhoria de produção do trigo.

 

Os investigadores descobriram que a abordagem tradicional, usada há várias décadas (de plantar variedades de trigo antigas e novas lado a lado e comparar os seus rendimentos) não consegue separar claramente dois tipos diferentes de ganhos na seleção genética: o aumento do potencial de rendimento inerente e a “melhoria de manutenção”, que mantém as variedades adaptadas a pragas, doenças e às mudanças climáticas.

Patricio Grassini, Professor de Agronomia e um dos investigadores envolvidos no estudo, afirmou que compreender os fatores que influenciam a produtividade das culturas é essencial para direcionar os investimentos em investigação, de forma a responder às crescentes necessidades alimentares da população mundial.

 

“Os aumentos na produtividade das culturas que observamos ano após ano podem ser explicados principalmente por dois fatores: a melhoria agronómica, como, por exemplo, fertilizantes e controlo de pragas, e a melhoria genética”, explicou o responsável.

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A equipa de investigação utilizou dados de 849 cultivos de trigo testados em 17 localizações na Argentina, França, Reino Unido e Estados Unidos da América (EUA). Os cultivos demonstraram uma melhoria geral de rendimento de trigo de cerca de 73 kg por hectare por ano.

 

No entanto, apenas cerca de metade dessa melhoria é atribuível ao maior potencial de rendimento das cultivares modernas, enquanto o restante é devido à melhoria de manutenção, necessário para contrabalançar as quedas de rendimento das cultivares mais antigas, face às mudanças ambientais.

De acordo com os investigadores, embora a investigação tenha se focado no trigo, os seus resultados são amplamente aplicáveis a outras culturas, tendo ainda estes enfatizando que esta “melhoria de manutenção” é crucial para a segurança alimentar global.

 

À medida que os patógenos evoluem e os padrões climáticos mudam, os seletores introduzem continuamente características que ajudam as variedades de trigo a resistir a novas ameaças. Estas melhorias mantêm a produção, mas não necessariamente significam que o teto máximo biológico do rendimento da cultura tenha aumentado, alertaram os cientistas.

Os investigadores alertaram ainda que o método tradicional de comparação lado a lado pode superestimar o impacto que o melhoramento genético teve no aumento do potencial de rendimento das principais culturas alimentares ao longo do tempo.